
1- Quais as perspectivas para o turismo gaúcho em 2022?
O Turismo gaúcho, a exemplo do que aconteceu em níveis mundiais no período da pandemia, foi duramente impactado, e muitas atividades dentro do setor precisaram adequar-se ao momento que estamos vivendo. Durante esse período, acabamos também descobrindo, com mais intensidade ainda, destinos turísticos maravilhosos que antes eram desconhecidos da maioria da população. O ano de 2022 reserva um grande avanço em decorrência disso. Novos equipamentos turísticos foram instalados e novas rotas e roteiros qualificados para bem receber o turista, com um leque de opções ainda mais ampliado devido às descobertas. Em 2022 pensamos em projetar e ampliar tudo que foi desenvolvido e apresentado sob uma ótica diferenciada e adaptada, de acordo com as necessidades impostas pela pandemia de Covid-19, mas que ao mesmo tempo obrigou o setor a sair da zona de conforto e apresentar uma diversidade e alternativas completamente diferentes do convencional.
2- Em março de 2022, o RS recebe pela primeira vez um dos maiores eventos de inovação do mundo, o South Summit. Como o governo está se preparando para esse momento e qual é a expectativa de movimentação?
O South Summit nasceu em 2012 em Madri, durante a crise econômica. Com mais de 650 investidores, audiência anual de mais de 50 mil pessoas e 20 mil visitantes presenciais, de mais de 116 países, o evento tornou visível o ecossistema espanhol em todo o mundo. Entre as startups finalistas da sua competição, o investimento foi de mais de 6,15 bilhões de dólares – a Cabify, por exemplo, foi finalista na edição de 2014 e arrecadou U$ 446 milhões. O South Summit é, portanto, muito mais que um evento: ele é uma plataforma global de inovação e conexões de alto valor, que proporciona oportunidades de negócios por meio de feira exclusiva, competição de startups e palestras nacionais e internacionais. O governo do Estado está se preparando com toda a atenção que o evento requer, tendo em vista a sua amplitude e importância global que, agora, volta-se para o Rio Grande do Sul, possibilitando a sua conexão, de forma definitiva, às transformações em curso no mercado da inovação e tecnologia, bem como aos demais players nacionais e internacionais. Além disso, a realização do South Summit aqui vem consolidar o nosso Estado, que já possui um ecossistema de inovação significativo, 16 parques tecnológicos, 43 incubadoras de empresas de base tecnológica e 960 startups, como um polo de inovação e tecnologia. Certamente trará boas oportunidades de negócios e troca de experiências e atrairá investidores. Assim, o governo do Estado não medirá esforços para a organização e realização do South Summit 2022. Essa organização compreende não apenas a fase prévia, que diz respeito a contratação, planejamento, identificação e atendimento de necessidades, apesar de toda a burocracia estatal, como também a fase em que nos encontramos: os últimos preparativos para a realização do evento, de modo que o South Summit Brasil ‒ Porto Alegre (edição 2022) reflita a execução da estratégia desta gestão, consolidando os esforços empreendidos nos últimos anos tanto pelo governo estadual quanto pelas diversas coletividades da sociedade civil gaúcha em torno da pauta. A estrutura de governança instituída pelo Decreto nº 56.223/2021 é um retrato da organização do governo para receber o evento: o Comitê e os Conselhos ali descritos (Conselho Gestor, Comitê de Organização Local e Conselho Curador) contam com a participação de diferentes órgãos do governo do Estado, além da prefeitura de Porto Alegre, universidades, representantes do nosso ecossistema e da própria Startup Spain, responsável pelo South Summit. Dessa forma ‒ com a união de esforços do Estado, Município, academia, iniciativa privada e sociedade civil organizada ‒ estaremos prontos para receber a primeira edição brasileira do South Summit. Em três dias de evento, teremos quatro palcos, com mais de 300 speakers, e um público estimado de 20 mil pessoas. Trazer um evento desse porte para o Rio Grande do Sul é uma medida que apoia a retomada da atividade do setor de eventos e do Turismo, consolida o Estado como polo nacional e latino-americano de tecnologia e inovação e cria mais um grande atrativo local de turismo de negócios.
3- Na sua opinião, quais são os desafios a serem enfrentados pelo setor no pós-pandemia? Que caminhos o Brasil precisa seguir para impulsionar o Turismo?
Tendo em vista toda a readaptação do setor diante de um evento completamente inesperado, como a pandemia de Covid-19, temos que manter e cada vez mais ampliar os investimentos na área de turismo e uma produção associada, de maneira que as pessoas envolvidas consigam permanecer atuando nesse setor, bem como dar continuidade às políticas públicas na área.
4- Para empresários que desejem investir no segmento de Turismo, liste orientações básicas que eles devem seguir para iniciar suas atuações.
Para investimentos no segmento de Turismo no RS, os empresários, de todos os portes, podem procurar a Secretaria de Turismo, pois temos técnicos que irão orientar os investidores; e também o Sistema Financeiro Gaúcho, principalmente o Badesul e o BRDE, para financiar os seus projetos. Os bancos têm as mais variadas linhas de financiamento, entre as quais destaco as do Fungetur, BNDES Automático, Finame e BNDES Crédito Pequenas Empresas. Por meio dessas linhas, os financiamentos podem ser realizados diretamente com os bancos; o Badesul tem linhas a partir de R$ 200 mil até R$ 30 milhões com garantia real. Para investimentos entre R$ 25.000,00 e R$ 187.500,00, com recursos do Fungetur, os bancos podem financiar por meio da Garantidora de Crédito RSGARANTI, que disponibiliza a carta garantia, não sendo necessário disponibilizar garantias imobiliárias. Os financiamentos podem ser para capital de giro isolado, investimentos em obras civis, instalações, móveis, utensílios, enxoval e máquinas e equipamentos que tenham código Finame.