O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-7
As vendas do comércio varejista tiveram, em outubro, a primeira queda ante o mês anterior (0,2%) neste ano. Na comparação com outubro do ano passado, houve crescimento de 9,6%, o melhor resultado da série iniciada em 2001.
A queda de 0,2% ante setembro foi avaliada como de “acomodação” pelo técnico da Coordenação de Comércio e Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Pereira.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-7
As vendas do comércio varejista tiveram, em outubro, a primeira queda ante o mês anterior (0,2%) neste ano. Na comparação com outubro do ano passado, houve crescimento de 9,6%, o melhor resultado da série iniciada em 2001.
A queda de 0,2% ante setembro foi avaliada como de “acomodação” pelo técnico da Coordenação de Comércio e Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Pereira. “É uma acomodação, não significa necessariamente que haja tendência de resultados negativos daqui para a frente”, disse Pereira.
Para ele, a queda pode refletir a base de comparação forte de setembro. Sob influência da antecipação do 13º salário da Previdência, houve aumento de 1,3% nas vendas naquele mês ante o anterior.
Segundo o técnico, os dados comparativos com outubro do ano passado, período no qual todas as atividades mostraram expansão nas vendas, mostram que “a conjuntura econômica está propícia ao desempenho do comércio varejista”.
Ele citou, como fatores que refletem o “momento positivo da economia” para o varejo, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o aumento da renda e do emprego, a redução dos juros básicos, o câmbio favorável às importações e, sobretudo, a forte expansão do crédito.
Para o chefe do Departamento de Economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, no entanto, o recuo nas vendas ante setembro é o início da desaceleração. Segundo ele, os juros futuros estão altos e já influenciam o varejo, que, no entanto, deverá permanecer em expansão, ainda que em ritmo menor, embalado sobretudo pelo “crédito farto” e o dólar baixo, que incentiva as importações e reduz os preços dos produtos revendidos no comércio.
Emerson Kapaz, consultor do Instituto do Desenvolvimento do Varejo (IDV), avalia que “uma queda em um determinado mês não significa muito para um setor que vem crescendo expressivamente”. Ele considera bons os resultados do varejo em outubro.
Alexandre Andrade, analista da Tendências Consultoria, atribui a queda nas vendas ante mês anterior ao desempenho ruim dos supermercados. Ele revisou a projeção de crescimento das vendas físicas do varejo este ano de 8,7% para 10%.
O aumento dos preços de alimentos e bebidas em outubro prejudicou os supermercados e hipermercados, segundo os mesmos analistas. As vendas desses produtos caíram 1,6% no mês ante setembro. Mas, em relação a outubro do ano passado, as vendas desse segmento aumentaram 5,6%.