UnB e Sesc defendem qualidade na Educação Física

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Durante o seminário “Educação Física e Esporte Escolar: da Formação à Competição”, nesta quarta-feira na Câmara, a professora da Universidade de Brasília (UnB) Rossana Benck ressaltou a importância de se promover a qualidade da Educação Física escolar.

Em sua palestra, ela desenvolveu a ideia de que a base do desenvolvimento cognitivo e motor está na inclusão da Educação Física no ensino infantil.

Durante o seminário “Educação Física e Esporte Escolar: da Formação à Competição”, nesta quarta-feira na Câmara, a professora da Universidade de Brasília (UnB) Rossana Benck ressaltou a importância de se promover a qualidade da Educação Física escolar.

Em sua palestra, ela desenvolveu a ideia de que a base do desenvolvimento cognitivo e motor está na inclusão da Educação Física no ensino infantil. “Dos três aos oito anos de idade, a criança precisa da estimulação correta para andar, correr, saltar e arremessar”, destaca Benck.

Segundo a pesquisadora, atualmente as crianças são inseridas aos 11 ou 12 anos nas aulas de Educação Física, diretamente em um contexto de jogo de vôlei e/ou de basquete. “Como ela vai jogar se não tiver uma preparação básica anterior?”, questiona.

Evasão

A assessora técnica da Gerência de Lazer do Serviço Social do Comércio (Sesc), Rosimeri Pavanati, também destacou a necessidade de aprimorar o ensino esportivo. Ela citou estudos segundo os quais é de 47% o índice mundial de evasão dos programas esportivos entre crianças de 11 a 13 anos de idade.

Os motivos para essa evasão, explicou, são a desmotivação das crianças e a decepção na aprendizagem esportiva. Isso porque muitas vezes as metodologias utilizadas são voltadas para adultos.

Para combater esse problema em seus programas esportivos, informou Pavanati, o Sesc insere a criança em atividades de acordo com sua maturação, levando em conta sua falta de experiência com o esporte ou a bagagem acumulada anteriormente.

Valorização da educação física nas escolas

Ministério do Esporte diz que a Educação Física trabalha valores como ética e respeito à diversidade, mas reconhece que a infraestrutura das escolas públicas para prática de esportes é precária.

O Conselho Federal de Educação Física (Confef) lançou oficialmente, durante o seminário, a campanha nacional “Educação Física Escolar – Plantando Cultura, Cidadania e Saúde”. O objetivo é valorizar a disciplina Educação Física no currículo escolar, no qual figura como componente obrigatório.

Para atingir essa meta, o Confef dará continuidade, ao longo de todo o ano, a ações já iniciadas para conscientizar os gestores públicos dessa importância e cobrar ações. O ano de 2009, aliás, foi eleito pelo Confef como Ano Nacional da Educação Física Escolar.

“Não existe educação sem Educação Física, disciplina que possui os mesmos objetivos da escola, de desenvolver a sociabilidade, a cidadania. O que se constata, no entanto, é que a Educação Física escolar tem sido renegada por pedagogos, dirigentes, gestores e políticos. Em algumas escolas privadas, a prática tem sido substituída por aulas em academias conveniadas”, afirmou o vice-presidente do Confef, João Batista Tojal.

Direitos

O secretário nacional de Esporte Educacional do Ministério do Esporte, Júlio Filgueira, lembrou que esporte e lazer são direitos assegurados pela Constituição. E é justamente na infância e na escola, disse, que se apresentam as melhores condições de assegurar esses direitos. “Por meio da Educação Física escolar, podemos trabalhar com a criança um conjunto de valores indispensáveis, como a ética, a transparência, o trabalho em equipe e o respeito às regras e à diversidade”, afirmou.

Apesar das vantagens, ele reconheceu que a infraestrutura das escolas públicas no Brasil não permite atingir de forma adequada esse objetivo. Faltam espaço, quadras esportivas e professores capacitados para lidar com as necessidades das crianças e dos adolescentes.

Educação integral

O representante do Ministério da Educação informou no seminário que o MEC tem trabalhado a educação em tempo integral no País e que a Educação Física entra justamente na grade de ampliação das atividades escolares. A Educação Física, segundo o diretor de Educação para a Diversidade, Armênio Bello Schmidt, tem uma função importante na luta contra a desigualdade, que se manifesta entre as regiões brasileiras, entre o campo e a cidade, entre brancos e negros.

 Trabalho conjunto

O deputado Gilmar Machado pediu aos ministérios da Educação e do Esporte que trabalhem juntos para que o esporte escolar seja uma realidade no Brasil. Júlio Filgueira afirmou que existe essa aliança, inclusive para ampliar o tempo de atividades educativas fora da sala de aula.

Filgueira lembrou que o programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, atende atualmente 1 milhão de crianças com a prática de esportes em todo o Brasil, no horário contrário aos das atividades de sala de aula. “Temos o desafio de muito em breve atender, como parte dos componentes curriculares, a todas as crianças do nosso País.”

Novos debates

O seminário continua nesta tarde no auditório Nereu Ramos. No fim do evento, a Comissão de Turismo, o Confef, a Unicef e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)/Sesc, que também participam dos debates, divulgarão um documento que vai apontar as necessidades da Educação Física escolar.

“Esperamos construir, a partir daqui, políticas públicas para o esporte. É fundamental esse trabalho para democratizar o esporte e formar atletas e cada vez mais o nome do Brasil e dos brasileiros ser reconhecido no mundo”, disse o presidente da Comissão de Turismo, deputado Afonso Hamm (PP-RS).


Agência Câmara, 13 de maio de 2009.

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