Taxas ao consumidor sobem pelo segundo mês seguido

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Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-7


Os juros cobrados nos empréstimos bancários subiram pelo segundo mês seguido em fevereiro, segundo pesquisa do Banco Central.

Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-7


Os juros cobrados nos empréstimos bancários subiram pelo segundo mês seguido em fevereiro, segundo pesquisa do Banco Central. A taxa média dos financiamentos para pessoas físicas, por exemplo, subiu de 48,8% ao ano para 49,0%.


Embora pequeno, o movimento do mês passado dá seqüência a uma tendência brusca de alta iniciada em janeiro, depois de o governo anunciar aumento nas alíquotas de tributos do sistema financeiro para compensar a perda de arrecadação com o fim da CPMF.


Na comparação com dezembro, a taxa média dos empréstimos passou de 33,8% ao ano para 37,4%. O maior aumento foi nas operações com pessoas físicas, que tinham juros de 43,9% no final do ano passado.


Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a alta ainda faz parte de um “processo de assimilação das medidas tributárias” do começo do ano e não devem continuar.


“A minha impressão é que, passado este momento inicial, as taxas vão se estabilizar.”


Já Júlio Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) e ex-secretário do Ministério da Fazenda, diz que o aumento da carga tributária sobre as operações financeiras não explica toda a alta dos juros deste ano. Para ele, as turbulências do mercado internacional também ajudam a explicar o encarecimento do crédito.


“Houve um excesso de cautela do sistema bancário. Houve um aumento nos juros além da conta, devido ao receio de que pudesse ocorrer, por aqui, algum respingo dessa crise internacional.”


Juros despropositados


O vice-presidente, José Alencar, criticou ontem a alta taxa de juros cobrada dos consumidores brasileiros. Alencar disse que os cidadãos pagam “taxas de juros despropositadas” e que, em geral, não têm familiaridade com os números. Para ele, é fundamental alertar para os perigos de empréstimos e financiamentos. “[O consumidor] pode estar entrando em alguma coisa que ele não conhece tendo em vista as taxas de juros despropositadas.”


Alencar também criticou a Selic de 11,25% ao ano. “O consumidor é incauto. Ele vai pagar um juro que ele não sabe em que encrenca que está entrando. Uma taxa ao mês de 5% é igual a 80% ao ano. Uma taxa de juros de 8% ao ano é igual a 150% ao ano. Tudo isso é um crime. Nós temos de reduzir os juros básicos.”




 


 

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