Supersimples vai ser discutido no Confaz

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se comprometeu ontem a fazer um apelo

aos Estados para que eles reeditem os antigos benefícios de ICMS destinados

às micro e pequenas empresas e que foram revogados com a entrada em vigor do

Supersimples, em 1º de julho deste ano.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se comprometeu ontem a fazer um apelo

aos Estados para que eles reeditem os antigos benefícios de ICMS destinados

às micro e pequenas empresas e que foram revogados com a entrada em vigor do

Supersimples, em 1º de julho deste ano. A promessa foi feita em uma reunião

do ministro com o presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria do

Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri.


Até a entrada em vigor do novo sistema simplificado de recolhimento de

tributos, vários Estados do país mantinham programas de incentivo fiscal às

micro e pequenas empresas. Com a revogação dos dispositivos, até ontem,

apenas quatro deles já contavam com novas leis garantindo isenções e

reduções de base de cálculo de ICMS para as empresas que aderirem ao

sistema, segundo um estudo realizado pela consultoria tributária Fiscosoft a

pedido do Valor. Com exceção de Alagoas, Amazonas, Bahia e Paraná, nenhum

outro Estado do país concede hoje benefícios de ICMS atrelados ao

Supersimples – e, no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária

(Confaz), ao que tudo indica, não há vontade política da maioria de seus

integrantes para que isto ocorra.


“Se os benefícios de ICMS não forem reeditados pelos Estados, o Supersimples

será catastrófico”, afirma Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Instituto

Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Segundo ele, sem os incentivos

o novo sistema aumenta a carga tributária de uma série de micro e pequenas

empresas que antes estavam inseridas no Simples Federal e que além disso

aproveitavam as vantagens estaduais.


Os Estados estão discutindo o assunto isoladamente ou em conjunto e na

última reunião do Confaz, em 6 de julho, alguns governos estaduais

levantaram a questão, que deve ser retomada no próximo encontro, no dia 21

de agosto em Brasília. Os secretários de Fazenda dos Estados do Nordeste

fecharam em conjunto uma proposta para dar fim à guerra fiscal que inclui

temas relacionados ao Supersimples.


O Paraná é um dos Estados que já reeditou benefícios de ICMS destinados às

micro e pequenas empresas – isenção para aquelas com faturamento de até R$

360 mil anuais e reduções que vão deste valor até R$ 2,4 mil anuais. Mas, de

acordo com Francisco de Assis Inocêncio, inspetor geral de arrecadação da

Fazenda paranaense, há dúvidas sobre se este tipo de benefício precisa ser

aprovado pelo Confaz. A Constituição Federal prevê que qualquer benefício

deve passar pelo crivo do conselho, mas a Lei Complementar nº 123 dá aos

Estados a possibilidade de criarem incentivos.


Santa Catarina, que antes do Supersimples contava com um sistema de

benefícios de ICMS considerado o mais vantajoso do país – com um valor fixo

de recolhimento e outras seis alíquotas para diferentes faixas de

faturamento de até R$ 2 milhões anuais – pretende propor a retomada da

possibilidade de aproveitamento de créditos de ICMS pelas companhias que

adquirem mercadorias das micro e pequenas empresas, vetada pela Lei

Complementar nº 123. De acordo com o diretor de administração tributária da

Fazenda catarinense, Almir Gorges, das 120 mil empresas que faturam até R$

2,4 milhões anuais no Estado, 16 mil geravam créditos de ICMS que eram

aproveitados pelos clientes, sendo que 5.500 eram as responsáveis por 90%

desses créditos – e que perdem competitividade com a vedação do

aproveitamento. “A Fazenda está sensível a isso, mas amarrada pela lei do

Supersimples”, diz Gorges.


A questão da vedação do aproveitamento de créditos de ICMS tem sido apontada

como um dos principais problemas do Supersimples. Advogados tributaristas já

colecionam casos de micro e pequenas empresas que estão sofrendo com o

impedimento. Isto porque, sem o direito de aproveitamento de créditos, os

compradores das empresas que ingressaram no novo regime estão fazendo

pressão para que elas reduzam preços. A advogada Juliana Ono, consultora

tributária da Fiscosoft, conta o caso de uma indústria de grande porte que,

com o ingresso de seus habituais fornecedores no Supersimples, perdeu R$ 100

mil ao mês de créditos do tributo – e trocou de fornecedores. Joseph Couri,

do Simpi, diz continuar em negociação com o governo federal para retomar a

possibilidade de uso dos créditos de ICMS.


Prorrogado prazo de adesão


O Comitê Gestor do Simples Nacional prorrogou ontem, pela segunda vez, o

prazo final para a adesão das micro e pequenas ao Supersimples. A nova data

passou a ser o dia 20 de agosto e pode facilitar a decisão das empresas de

ingressar ou não no novo sistema. Até o fechamento desta edição, a previsão

era a de que o Projeto de Lei Complementar nº 43, de 2007, aprovado pelo

Senado na semana passada e que altera a tributação de alguns setores – em

especial das empresas prestadoras de serviços – seria sancionado à noite

pelo presidente Lula e publicado na edição de hoje do Diário Oficial da

União. O projeto altera a Lei Complementar nº 123 e teve o objetivo de dar

um fim a alguns dos principais problemas do Supersimples apontados por

entidades de micro e pequenos empresários.


De acordo com a resolução do comitê gestor do Supersimples, que será

publicada hoje no Diário Oficial da União, o prazo de adesão ao novo sistema

fica prorrogado para o dia 20 “principalmente para os setores incluídos no

projeto de lei complementar, como os de fabricação e distribuição de

sorvetes, cosméticos e fogos de artifício.

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