Valor Econômico Editoria: Brasil Página: A-6
Com a volta da tendência de valorização do câmbio e o ritmo expressivo de crescimento da economia, crescem as apostas numa redução mais forte do superávit comercial, especialmente no ano que vem. Para 2007, as projeções ainda se concentram num saldo entre US$ 40 bilhões e US$ 42 bilhões, mas as previsões para 2008 já contemplam um número bem menor.
Valor Econômico Editoria: Brasil Página: A-6
Com a volta da tendência de valorização do câmbio e o ritmo expressivo de crescimento da economia, crescem as apostas numa redução mais forte do superávit comercial, especialmente no ano que vem. Para 2007, as projeções ainda se concentram num saldo entre US$ 40 bilhões e US$ 42 bilhões, mas as previsões para 2008 já contemplam um número bem menor. Há quem estime um superávit inferior a US$ 30 bilhões.
A economista Thaís Marzola Zara, da Rosenberg & Associados, está revisando para baixo sua previsão para a balança comercial em 2008, devendo reduzir de US$ 38 bilhões para US$ 35 bilhões. “A alteração não ocorre só pelo câmbio, mas também pelo aquecimento da atividade econômica doméstica, que reduz um pouco as exportações e estimula as importações”, afirma ela, que projeta um câmbio de R$ 1,90 no fim deste ano e de R$ 1,95 no fim de 2008. Thaís diz, porém, que a estimativa para o ano que vem pode ser diminuída. Segundo ela, com um dólar de R$ 1,80, e não em R$ 1,95, o superávit tenderia a ficar em US$ 32 bilhões.
Para 2007, ela mantém sua previsão de um saldo de US$ 42 bilhões, mesmo se o dólar ficar em R$ 1,80 até o fim do ano. “Os efeitos do câmbio em 2007 são limitados, porque muita coisa já está programada.” Em 2006, o saldo ficou em US$ 46,4 bilhões.
Os economistas do Bradesco trabalham com um número um pouco mais pessimista para este ano, projetando um saldo de US$ 40,7 bilhões, admitindo que o número pode ser menor do que esse, caso o déficit da balança do petróleo não diminua ou as importações sigam em aceleração significativa nos últimos três meses do ano. Para 2008, o banco trabalha com um saldo de US$ 32,4 bilhões, que seria fruto de uma expansão de 8,7% das exportações e de 18,8% das importações. A expectativa de um câmbio de R$ 1,85 no fim deste ano e do próximo influencia esse resultado, mas o papel da expansão da atividade econômica doméstica é mais importante, avalia o departamento econômico do Bradesco. A demanda interna robusta deve continuar a empurrar as importações para cima.
Os analistas do Bradesco consideram que um câmbio abaixo de R$ 1,80 teria algum impacto sobre as exportações, mas entendem que o mais relevante aí é o comportamento da demanda externa. Por esse raciocínio, uma redução mais forte do crescimento global teria maior impacto sobre as vendas externas do que uma eventual queda mais acentuada do dólar.
A LCA Consultores estima um saldo comercial de US$ 28,2 bilhões para 2008. O economista Chau Kuo Hue diz que a expectativa de algum arrefecimento da demanda global no ano que vem o leva a prever uma expansão mais modesta das exportações em 2008, de 8,4% – para 2007, ele estima uma alta de 14,1%. As importações, por sua vez, devem continuar a avançar com força em 2008, devido ao dólar barato e do forte crescimento da demanda interna. Ele estima um aumento de 22,9% para as compras externas brasileiras no ano que vem.
Chau ressalta o forte crescimento das importações de bens de capital, que de janeiro a setembro aumentaram 29,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O câmbio valorizado e os altos níveis de capacidade instalada na indústria levam as empresas brasileiras a aumentar as compras de máquinas e equipamentos no exterior, diz Chau, destacando também o forte crescimento das importações de bens de consumo. Para 2007, a LCA revisou o saldo de US$ 42,2 bilhões para US$ 41,4 bilhões. As estimativas para exportações e as importações foram elevadas, mas as dessas últimas subiram mais – principalmente devido às compras mais fortes de bens de capital. A LCA aposta num câmbio de R$ 1,85 no fim deste ano e de R$ 1,90 no fim do ano que vem.
O ABN Amro trabalha com um saldo de US$ 42 bilhões em 2007, mas “com viés de baixa”, segundo a economista-chefe do banco para o Brasil, Zeina Latif. Para 2008, ela projeta um superávit de US$ 35 bilhões, embora considere possível um número menor. Zeina diz que o resultado será muito influenciado pelos termos de troca (a relação entre preços de exportação e importação). De 2003 para cá, eles foram amplamente favoráveis ao Brasil, com os preços das vendas crescendo bem acima do das compras. Se esse cenário se inverter, o quadro para a balança será menos positivo, diz Zeina.