Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-4
A balança comercial brasileira registrou superávit de apenas US$ 1 milhão na terceira semana deste mês, o pior resultado desde a terceira semana de maio de 2002, quando apresentou déficit de US$ 35 milhões. Na segunda semana, Brasil apresentou saldo positivo de US$ 325 milhões.
O superávit da última semana, com cinco dias úteis, é resultado de exportações de US$ 2,844 bilhões e importações de US$ 2,843 bilhões.
Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-4
A balança comercial brasileira registrou superávit de apenas US$ 1 milhão na terceira semana deste mês, o pior resultado desde a terceira semana de maio de 2002, quando apresentou déficit de US$ 35 milhões. Na segunda semana, Brasil apresentou saldo positivo de US$ 325 milhões.
O superávit da última semana, com cinco dias úteis, é resultado de exportações de US$ 2,844 bilhões e importações de US$ 2,843 bilhões. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o superávit reduzido deve-se, em parte, ao aumento das importações de petróleo em bruto, que atingiram US$ 273 milhões e exportações de apenas US$ 39 milhões. Sem considerar o comércio de petróleo, o superávit da terceira semana seria de US$ 235 milhões.
O vice-presidente da Associação de Comércio exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirma que o petróleo teve um peso maior na última semana, mas ressalta que importantes itens da pauta brasileira de exportações apresentaram redução, como minério de ferro e soja. “A Vale (Companhia Vale do Rio Doce) não está embarcando minério de ferro em todos os portos”, lembra Castro, em referência aos problemas enfrentados pela empresa nos terminais de Itaguaí e Guaíba, ambos no Rio de Janeiro.
O vice-presidente da AEB reafirma ainda que é previsto que, neste ano, o Brasil registre déficits comerciais semanais, pelo forte aumento das importações e redução do ritmo de crescimento das exportações. Isso, no entanto, não deve afetar o superávit do ano.
A média das vendas do Brasil na terceira semana caiu 3%, para US$ 568,8 milhões, em relação a semana anterior. As importações subiram 4,9% na mesma comparação, atingindo US$ 568,6 milhões.
Com o resultado da terceira semana de janeiro, o Brasil acumula superávit de US$ 396 milhões.
A média diária caiu 73,4%, atingindo US$ 30,5 milhões, em comparação com o primeiro mês de 2007. As exportações totalizam US$ 7,574 bilhões no mês, o que corresponde a uma média diária de US$ 582,6 milhões, crescimento de 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
As importações, por sua vez, atingiram US$ 7,178 bilhões no acumulado até a terceira semana de janeiro. A média diária, de US$ 552,2 milhões, foi 43,5% superior à registrada em janeiro do ano passado e 4,2% maior em relação a dezembro. Na comparação com o mês passado, a média diária das exportações apresentaram redução de 18,1%, de US$ 711,6 milhões para US$ 582,6 milhões.
O mercado prevê um superávit comercial de US$ 30 bilhões neste ano, segundo sondagem semanal do Banco Central com cerca de 100 instituições financeiras, divulgada ontem. O valor é menor que os US$ 30,60 bilhões projetados na semana passada.
Crise nos EUA
O vice-presidente da AEB “já começa a olhar de forma diferente a crise nos Estados Unidos” em relação às projeções da balança comercial brasileira. Em dezembro passado, a associação estimava queda de 22,4% no saldo de 2008, para US$ 29,73 bilhões, com alta de 6% das exportações ante aumento de 15% das importações. As projeções levavam em consideração que o crescimento do PIB dos Estados Unidos e o comércio mundial sofrerão leve desaceleração, com cenário favorável às cotações das commodities, exceto as metálicas utilizadas no segmento imobiliário.
“Se a crise vier de fato e afetar as commodities, ao invés de crescimento, pode haver queda nas exportações”, afirma Castro, acrescentando que só será possível perceber um impacto nas cotações em março. “Hoje (ontem), o mundo está caindo, e não adianta fazer alguma projeção.”