Destaque da edição:
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O endividamento das famílias – A última ata do Copom, ao enfatizar o objetivo do Banco Central de trazer a inflação de volta ao centro da meta no médio prazo, aumentou a expectativa de altas maiores da taxa básica Selic. A mudança na comunicação da instituição na busca pela retomada da credibilidade foi, em parte, bem-sucedida, de modo que exerceu impacto significativo sobre as taxas de juros futuras, potencializando os efeitos do aperto monetário. A mediana das expectativas para a inflação de 2016 da pesquisa Focus também mostrou um recuo, fato que não ocorria desde fevereiro. Entretanto, as expectativas para a inflação ainda estão muito longe do centro da meta. Na pesquisa Focus, é esperado que a inflação alcance 8,3% neste ano e 5,6% no próximo. Muito embora essa expectativa represente um processo desinflacionário significativo, o custo desse processo será muito elevado, e implica em uma contração da atividade econômica.
Outras matérias:
Decepção com a economia leva confiança do comércio a novo recorde de baixa – Em abril de 2015, nove em cada dez empresários do setor (90,4% do total) perceberam piora das condições correntes da economia nacional. Na opinião de 61,3% deles, essa deterioração ocorreu de forma acentuada nos últimos 12 meses. Em abril de 2014, 63,3% dos entrevistados percebiam piora no ambiente econômico (27,7% viam piora acentuada). As regiões Sul (26,5 pontos) e Centro-Oeste (28,9 pontos) concentram as piores avaliações nesse quesito. A avaliação das condições atuais do setor também acusou forte retração em abril (-41,4% ante o mesmo mês de 2014). Na opinião de 78,7% dos empresários, o nível de atividade no comércio brasileiro piorou nos últimos 12 meses, sendo que, para 40,7%, houve piora acentuada. Um ano atrás, essa era a opinião de 22,6% dos entrevistados com 53,8% vendo algum grau de degradação. De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, no primeiro bimestre de 2015, o volume de vendas do varejo ampliado acusou retração de -7,5% ante o primeiro bimestre do ano passado. Pela primeira vez desde o início da pesquisa, o quesito que avalia as condições futuras da economia entrou no campo pessimista (abaixo dos 100 pontos). As quedas de 9,0% ante março e de 30,1% em relação a abril de 2014 também foram as maiores em toda a série histórica desse item específico do Icec. Os estados do Sul (81,5 pontos) e do Sudeste (97,0 pontos) são os mais pessimistas em relação ao desempenho da economia brasileira nos próximos meses.
Projeção do mercado para o PIB se estabiliza em -1,20% – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central (15/05), a mediana das expectativas para o IPCA aumentou para 8,31%, após chegar a 8,23% há quatro semanas passadas. Esta é a quinta aceleração, continuando bem acima do limite superior da meta (6,50%). As projeções para 2016 recuaram pela segunda vez, alcançando 5,50%, contra a previsão de 5,60% há quatro semanas passadas. No curto prazo, as projeções dos analistas são de 0,51% para maio e 0,32% em junho. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetaram IPCA de 0,49% para maio e 0,33% para junho, valores próximos ao mercado. Segundo dados do IBGE, o IPCA de 2014 foi de 6,41%, enquanto em abril alcançou 8,17%, no acumulado dos últimos 12 meses. Projeta-se a taxa de juros Selic para o final de 2015 em 13,50%, similar a semana anterior. Ou seja, com mais acréscimos ao longo do ano, até uma elevação total de 0,25 pontos. A próxima reunião do Copom será nos dias 2 e 3 de junho, quando se espera que já ocorra este aumento. A previsão é que em 2016 a Selic recue e termine o ano em 11,75%, ainda menor do que a taxa atual, entretanto maior do que o esperado na semana anterior, 11,63%.
Tesouro Direto – Recentemente, o governo disponibilizou on-line as informações sobre a movimentação financeira da compra e venda de títulos públicos da modalidade Tesouro Direto no mês de março deste ano. Os últimos dados registraram que o Tesouro Direto alcançou recorde histórico no volume de vendas, ultrapassando o montante de R$ 1 bilhão. Isso se deveu à marca de 66.356 operações, com o acesso de 12.570 novos investidores, também. Embora possa parecer um pouco confuso, por causa do cardápio de opções com as características dos títulos públicos, as informações no site do Tesouro Direto são bastante claras e objetivas. Até porque todas as operações de aquisição e venda de papeis do governo são feitas pela internet; e, por isso, devem ser simples, visando facilitar a vida do potencial comprador. Os títulos oferecidos pelo governo destinam-se a financiar gastos públicos, através do endividamento deste agente no mercado. Quando o governo coloca títulos, ele extrai recursos que poderiam ser destinados ao consumo e ao investimento. Para isso, os coloca atrativos, com uma taxa de juros bastante atraente para que dê retorno aos investidores.