Destaque da edição:
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Consequências da exploração do xisto – De repente, o gás de xisto que Sergio Quintella, em recente exposição perante o Conselho Técnico da CNC, batizou de a extraordinária “nova” fonte de energia, passou a ocupar a atenção dos meios de comunicação. Xisto é o nome genérico de rochas suscetíveis à transformação, identificadas pelo fato de serem nitidamente laminadas. O xisto betuminoso, uma dessas rochas, é também conhecido como folhelho ou xisto argiloso. Não é de hoje que se busca explorar petróleo e gás a partir desse mineral. Mas a exploração só se tornou economicamente viável pelo resultado de inovações introduzidas no processo de extração. Na América do Sul, Argentina e Brasil, com reservas de xisto importantes e bem disseminadas geograficamente, teriam em tese a oportunidade de explorar em terra firme a produção de petróleo e gás. Estima-se que as reservas correspondam a mais de 700 trilhões de pés cúbicos de gás na Argentina e 200 trilhões no Brasil. Contudo, em matéria de interesse na exploração, o Brasil está mais avançado, e poderia ser o segundo maior produtor das Américas, tanto assim que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) já estuda a regulação desse tipo de atividade. A mudança na matriz energética dos Estados Unidos, com a presença do gás de xisto e a consequente independência das importações de hidrocarbonetos, terá, como assinalou Sergio Quintella em sua palestra, “profundas implicações na geopolítica, na localização de indústrias de energia intensivas e no preço do petróleo, gás e da energia elétrica”. A AIE refere-se a um “choque de oferta”, ao estimar que a produção mundial de petróleo deverá aumentar, entre 2012 e 2018, em 8,3 milhões de barris/dia, o que significa que o mercado de petróleo e gás está se tornando um mercado favorável aos compradores e poderá resultar em perda de poder para o cartel da OPEP, com impacto adverso para Venezuela e Equador, na América Latina.
Outras matérias:
Estimativa para o PIB é reduzida pela segunda vez – No último relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a mediana das expectativas para o IPCA deste ano ficou próxima à da semana anterior, 5,74%. Continua bem acima do centro da meta de 4,50%, entretanto, abaixo do limite superior, 6,50%. As projeções para 2014 foram reduzidas para 5,85%, similar ao resultado realizado do IPCA no ano passado (5,84%). A curto prazo, as estimativas são de 0,29% para agosto e 0,45% para setembro. As cinco instituições que mais acertam – TOP 5 – projetam um IPCA de 0,29% para agosto, igual à mediana do mercado, e 0,44% para setembro, taxa próxima ao mercado. Segundo o IBGE, o IPCA acumulado do ano até o mês de julho ficou em 3,18%, enquanto o resultado nos últimos 12 meses foi de 6,27%. A mediana para o crescimento do PIB de 2013 foi reduzida para 2,21%, o menor nível já alcançado desde o segundo semestre de 2012. Esta é a segunda semana consecutiva com redução nessa estimativa. Para 2014 o resultado esperado também foi reduzido, alcançando 2,50%. Apesar das consecutivas reduções, ambos os valores projetados estão bem acima do crescimento do PIB realizado em 2012, de 0,9%. A previsão para o crescimento do setor industrial este ano aumentou de 2,00% para 2,08%. Para 2014 a tendência foi contrária, caindo de 3,00% para 2,90%. Em relação à queda de 2,6% realizada em 2012, os dois resultados mostram recuperação, além de ser maior do que o crescimento de 0,4% em 2011.
IPCA apresenta alta de 0,03% em julho – O IPCA, índice utilizado no regime de metas da inflação, registrou alta de 0,03% em julho, abaixo dos 0,43% no mesmo período de 2012. Foi o mais baixo resultado desde julho de 2010 (0,01%). No acumulado do ano, a inflação alcançou 3,2% e em 12 meses, 6,3%, situando-se ainda acima do centro da meta (4,5%). Dentre os grupos, destaque para as deflações de alimentação, vestuário e transportes, que registraram recuos de 0,33%, 0,39% e 0,66%, respectivamente. A revogação dos preços dos transportes públicos devido às manifestações impactou positivamente os preços administrados, que apresentaram queda de 0,27% no mês passado. O efeito favorável da sazonalidade, principalmente com a devolução das altas expressivas dos preços de alimentos in natura, como hortaliças e frutas, levou ao decréscimo de 0,43% dos bens não duráveis no período. Apesar do dólar mais valorizado, as liquidações levaram os preços de bens semi e não duráveis a registrar deflação em julho de -0,24% e -0,43%, respectivamente.
MEI: informações preocupantes – As estimativas para o comportamento agregado da economia brasileira em 2013, pouco acima de 2%, vêm se apresentando de forma regressiva desde o fim do primeiro trimestre, para apontar acomodação do nível da produção de bens e serviços finais num patamar aquém do projetado no início deste ano. Assim, a cada revisão do PIB, as projeções tenderam a diminuir, sinal de que a conjuntura real tem sido impactada pelas condições objetivas, mais até do que se poderia pressupor. Em certo grau, o consumo das famílias e do governo (C) e o investimento (I), variáveis que poderiam auxiliar o crescimento do PIB, têm estado comprometidos. Sem considerar os efeitos da conjuntura externa para a revisão das estimativas da atividade econômica, têm contribuído para a absorção doméstica (C+I) menor os efeitos da aceleração dos preços, notadamente agrícolas e serviços, junto com a alta do dólar, e o aumento dos juros para conter a inflação. Enquanto a política monetária é estabelecida para que a variação de preços seja menor, os efeitos dos juros e do dólar refletem-se também sobre o baixo crescimento do volume de vendas em relação ao ano passado, sobre a desaceleração do crescimento do nível de emprego e sobre o aumento do endividamento das pessoas. Neste contexto, a economia não decola.