Gazeta Mercantil Editoria: Administração & Serviços Página: C-2
São Paulo, 27 de Dezembro de 2007 – A conta não é precisa, mas os 22 milhões de pessoas que entraram no mercado de consumo neste ano, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), vem produzindo uma revolução no varejo. Os resultados já podem ser vistos no balanço de vendas de Natal. Lojistas de shoppings tiveram alta de até 12% nas vendas, puxadas principalmente por uma retomada nas compras de vestuário e eletroeletrônico.
Gazeta Mercantil Editoria: Administração & Serviços Página: C-2
São Paulo, 27 de Dezembro de 2007 – A conta não é precisa, mas os 22 milhões de pessoas que entraram no mercado de consumo neste ano, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), vem produzindo uma revolução no varejo. Os resultados já podem ser vistos no balanço de vendas de Natal. Lojistas de shoppings tiveram alta de até 12% nas vendas, puxadas principalmente por uma retomada nas compras de vestuário e eletroeletrônico.
“O setor de shopping centers deve ter recebido pelo menos 1,5 milhão de novos consumidores neste ano”, afirma Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Segundo o empresário, que é proprietário da rede Bob Store, o setor de shoppings deve fechar o ano com crescimento de 13,43% nas vendas nominais, em R$ 68,4 bilhões. Se deflacionadas, as vendas reais devem alcançar o patamar de R$ 66,1 bilhões.
“Não há dúvida que esse é o nosso melhor resultado nos últimos anos”, diz Sahyoun. De fato, o setor de shoppings é um dos que mais vem aproveitando o vigor da economia para expansão. Os indicadores econômicos positivos, como queda da taxa de juros, redução dos índices de desemprego e aumento de crédito para pessoa física (ver tabela), vem atraindo novas empresas, como a BR Malls, do GP Investments, que capitalizada, tornou-se a maior proprietária de shoppings do País.
“Os IPOs (oferta pública de ações) das gigantes vem injetando novos recursos no mercado, substituindo, inclusive, a necessidade dos shoppings recorrem aos recursos do BNDES”, afirma.
“Só a General Shoppings começou o ano com três empreendimentos e hoje conta com onze”, diz o empresário que acredita que os varejistas devem liderar as aberturas de capital no próximo ano.
Só neste ano, 22 shoppings foram inaugurados, no total de 3.497 novas lojas. Isso elevou o número de shoppings de 622 para 644 (crescimento de 3,54%); e o de lojas de 76.922 para 80.419 (crescimento de 4,55%)., segundo a Alshop.
Só a movimentação de Natal gerou 94 mil empregos temporários, dos quais 25% devem ser efetivados. “Para 2008, esperamos que o setor salta de 804,1 mil empregos diretos, para 868,5 mil postos de trabalho”, diz.
A expectativa é grande para os próximos anos, especialmente devido a expansão das gigante de shoppings. “Esperamos uma abertura de mais 20 empreendimentos para 2008”, explica Sahyoun, ciente que esse número, num primeiro momento pode parecer pouco em relação ao potencial de investimentos das empresas. “Como os grandes shoppings (mais de 200 lojas) têm um tempo médio de dois anos entre o projeto e a execução, sabemos que em 2009 esse número será ainda maior.”
A projeção da entidade é que os lojistas de shopping atinjam um faturamento nominal de R$ 74,7 bilhões em 2008. O resultado que será puxado pela demanda da baixa renda, quebrando o mito dos shoppings serem voltados apenas para o público de classe A/B. “Temos vários shopping voltados para a classe C que têm ótimos resultados, e cada vez mais atraem a atenção de novos lojistas, mesmo de marcas consagradas”, afirma, citando lojas como Hering Store, Zoomp e Forum.
De acordo com Sahyoun, as varejistas estão agora buscando entender quem é esse novo consumidor que está deixando o comércio de rua e passando a visitar mais os shoppings.
Grifes estão criando produtos mais acessíveis
As liquidações de pós-Natal começam tímidas. Saldão forte mesmo, só o fim de janeiro.
“Temos varejistas que não têm estoque para liquidar, outros ainda estão negociando com a indústria”, diz Sahyoun. Se depender do consumidor, as vendas continuarão fortes. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou alta de 5,2% em dezembro, com relação ao mês de novembro. Com o aumento, o indicador atingiu sua maior pontuação (120,3) desde o início da série histórica, em setembro de 2005.