Saldo comercial de 2007 cai 13,8%, para US$ 40,030 bilhões

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Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-4  


O dólar barato e o aquecimento da economia, que levou a indústria a aumentar investimentos principalmente para atender ao crescente mercado doméstico, fizeram as importações dispararem em 2007. No ano passado, o Brasil aumentou o consumo de importados em 35,5%. Atingiu o valor recorde de US$ 120,610 bilhões. Mesmo assim, o saldo comercial somou US$ 40,030 bilhões, já que as exportações, de US$ 160,649 bilhões, também cresceram, mas a um ritmo menor, em 16,1%.

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O dólar barato e o aquecimento da economia, que levou a indústria a aumentar investimentos principalmente para atender ao crescente mercado doméstico, fizeram as importações dispararem em 2007. No ano passado, o Brasil aumentou o consumo de importados em 35,5%. Atingiu o valor recorde de US$ 120,610 bilhões. Mesmo assim, o saldo comercial somou US$ 40,030 bilhões, já que as exportações, de US$ 160,649 bilhões, também cresceram, mas a um ritmo menor, em 16,1%.


O aumento mais vigoroso das compras comparado às vendas em 2007 provocou queda de 13,8% no saldo comercial. Em 2006, a diferença entre as exportações e importações somaram o recorde de US$ 46,456 bilhões.


“Mesmo menor que em 2006, o saldo foi impressionante comparado a outros países em desenvolvimento”, diz Welber Barral, secretário de Comércio Exterior.


Dezembro terminou com exportações de US$ 14,231 bilhões, aumento de 16%, e importações de US$ 10,595, com variação de 46,9%, resultado pressionado pelo consumo de fim de ano.


Com isso, o saldo comercial em dezembro foi de US$ 3,636 bilhões, 28% menor que no mesmo período do mês passado.


De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com relação a 2002, as exportações tiveram aumento de 166%, elevando as vendas externas em mais de US$ 100 bilhões nos últimos seis anos. As importações cresceram 156% nesse mesmo período o que aumentou US$ 173,7 bilhões na corrente de comércio entre 2002 e 2007. “No ano passado tivemos a maior corrente de comércio em 200 anos da história do comércio exterior brasileiro”, disse Barral. “Um dos impactos das importações é o combate da inflação, pois favorece o consumo mais barato, principalmente entre as classes menos favorecidas.


No ano passado, as importações de bens de consumo, que são as que mais reagem à variação do dólar, foram as que mais aumentaram, em 33,2%. As de bens de consumo duráveis cresceram 35,4% e as de não-duráveis, 31%. As importações de automóveis somaram US$ 3,121 bilhões, 62,4% acima de 2006.


As compras de bens de capital, que sinalizam mais investimentos nos parques industriais brasileiros e são sensíveis à queda do dólar, aumentaram 32,4% em 2007. A participação dos produtos básicos na pauta de exportações, que vinha diminuindo em relação às vendas de manufaturados, voltou a ganhar espaço, isso por causa dos bons preços das commodities no mercado internacional. De janeiro a dezembro, o Brasil exportou US$ 51,595 bilhões em produtos básicos (+27,6%).


Meta é exportar US$ 172 bilhões neste ano


O governo pretende que o País exporte US$ 172 bilhões em 2008. Para chegar a esse resultado, de acordo com o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, os embarques de produtos brasileiros para o exterior terão que crescer, em termos relativos, o dobro das exportações mundiais. “As importações também devem crescer proporcionalmente. Há uma demanda ainda muito forte por bens de capital no País e isso é importante para a modernização do parque industrial, portanto, para as exportações brasileiras.”


O superávit comercial brasileiro deverá manter a trajetória de queda iniciada em 2007, na avaliação da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que prevê saldo em torno de US$ 29,73 bilhões este no.


“Houve um crescimento muito grande em todo o mundo das exportações do agronegócio, por causa dos preços mundiais. Com relação às vendas brasileiras, elas só não cresceram mais porque ainda há muitas barreiras para as vendas do agronegócio”, disse o secretário ao comentar o aumento das exportações de produtos básicos na pauta de vendas no ano passado, de 29,2% para 32,1%.


Apesar de o Brasil ter atingido a auto-suficiência na produção de petróleo, o País ainda tem déficit comercial com o resto do mundo. De janeiro a outubro, o Brasil importou 21,3 bilhões de litros, bem acima dos 17,7 bilhões de litros importados no mesmo período de 2006, segundo dados da ANP (Agência Nacional e Petróleo). Com isso, o déficit da conta de petróleo subiu de US$ 2,141 bilhões em 2006 para US$ 4,457 bilhões no ano passado. Isso porque o Brasil produz petróleo pesado e ainda precisa importar o óleo fino.


Com relação ao destino das exportações, os Estados Unidos, que já foram o principal parceiro comercial do Brasil, caíram para a terceira posição, atrás da União Européia e da América Latina.


 


 

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