Saldo comercial abaixo do obtido em 2006

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Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-5


A despeito do expressivo volume de exportações nos primeiros meses do ano e das sucessivas revisões para cima nas projeções para o saldo comercial em 2007, especialistas não acreditam que o superávit chegue aos US$ 46,4 bilhões registrados no ano passado. A demanda mundial ainda forte continua pressionando para cima os preços das commodities, favorecendo o desempenho das exportações. Impulsionadas pelo real forte e pelo crescimento, as importações seguem em ritmo de crescimento expressivo.

Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-5


A despeito do expressivo volume de exportações nos primeiros meses do ano e das sucessivas revisões para cima nas projeções para o saldo comercial em 2007, especialistas não acreditam que o superávit chegue aos US$ 46,4 bilhões registrados no ano passado. A demanda mundial ainda forte continua pressionando para cima os preços das commodities, favorecendo o desempenho das exportações. Impulsionadas pelo real forte e pelo crescimento, as importações seguem em ritmo de crescimento expressivo.


“As exportações de produtos básicos e semimanufaturados estão aumentando, mas este movimento é puxado fortemente pelos preços elevados. Apesar disso, o saldo comercial em 2007 deve ser menor que o do ano passado e não chegará a US$ 46 bilhões. Talvez algo em torno dos US$ 40 bilhões”, afirma a professora do Instituto de Economia da Unicamp Daniela Prates.


A projeção atual do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (Cecon) da Unicamp é de exportações de US$ 144 bilhões e importações de US$ 102 bilhões, perfazendo um saldo comercial de US$ 42 bilhões. Tal estimativa está em vias de ser revisada, mas em função do novo patamar do câmbio – abaixo dos R$ 2 -, que estimulará ainda mais as importações.


FOCUS


O último Boletim Focus – pesquisa do Banco Central feita com instituições do mercado – revelou que o saldo comercial deve ficar em US$ 42 bilhões em 2007. O número é US$ 4 bilhões superior à estimativa do fim de 2006 e vem aumentando progressivamente desde o mês de março, acompanhando os resultados crescentes registrados até agora.


Até a segunda semana de junho, as exportações brasileiras atingiram US$ 63,549 bilhões, valor 18,8% superior ao de igual período do ano passado. Já as importações cresceram 24,3%, alcançando US$ 45,626 bilhões. O saldo acumulado no ano é de US$ 17,923 bilhões, ante US$ 16,764 bilhões em igual período de 2006.


Desde 2004, o mercado tem se surpreendido positivamente com o desempenho da balança comercial e os resultados efetivos vêm continuamente acima das expectativas. A diferença entre aquele período e o momento atual, segundo Daniela Prates, é que as exportações eram impulsionadas por quantidade e não por preços, como vem ocorrendo agora.


“O aumento das exportações é positivo, mas depende que a alta de preços continue. Este perfil torna a balança comercial vulnerável. A venda de manufaturados, que depende de competitividade e é mais afetada pelo câmbio, diminuiu em quantidade. A economia mundial vai desacelerar, os sinais são claros nos Estados Unidos”, aponta.


O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcelo Nonnenberg considera extremamente improvável que o saldo comercial fique acima dos US$ 44 bilhões. A projeção atual do Ipea é de US$ 40,3 bilhões, mas ele acredita que o número possa chegar a US$ 43 bilhões.


“Acho muito difícil que se chegue ao nível de 2006. As importações devem continuar crescendo no mesmo ritmo, ou até um pouco mais, e as exportações mostram sinais de desaceleração”, explica o economista.


Para Nonnenberg, a manutenção do elevado volume de exportações pode ser explicada por uma mudança no impacto do nível do câmbio nas vendas externas. “O câmbio mudou e o mercado mudou. A sensibilidade das exportações ao câmbio está menor”, acrescenta.


Em relatório recente, o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco apontou que é pouco provável que o saldo comercial de 2007 ultrapasse o de 2006. Apesar de o saldo comercial acumulado nos 12 meses encerrados em maio totalizar US$ 47,9 bilhões, o documento esclarece que os dados de comércio exterior dos meses de maio e junho do ano passado foram impactados pela greve dos auditores da Receita Federal. O estudo mostra que mesmo que venham surpreendendo positivamente, as exportações têm apresentado gradual desaceleração. A projeção do banco é de saldo comercial de US$ 42,3 bilhões.


AEB


Os altos preços das commodities devem motivar uma revisão da projeção de saldo comercial da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), afirma o vice-presidente da entidade, José Augusto de Castro. “O cenário do comércio exterior mudou completamente em relação ao que se imaginava no início do ano. Havia expectativa de desaceleração nos Estados Unidos, mas isso não ocorreu e os preços seguem em alta. O mundo continua demandando, mesmo que o ritmo não seja tão forte”, afirma.


Segundo Castro, a estimativa de US$ 36 bilhões de saldo comercial em 2007 deve ser revista no próximo mês para algo entre US$ 40 bilhões e US$ 45 bilhões. Este superávit comercial considera exportações ao redor de US$ 150 bilhões e importações em torno de US$ 110 bilhões. O novo patamar do câmbio, no entanto, também deve contribuir para a mudança, já que estimula ainda mais as importações, principalmente de insumos, que representam cerca de 50% da pauta.


“Até agora, o saldo aumentou 7%. Pelo cenário atual, estamos mais pertos de alcançar os US$ 46 bilhões do ano passado do que de não alcançar”, diz Castro. A projeção anterior era de exportações de US$ 138 bilhões e importações de US$ 102 bilhões.


O vice-presidente da AEB lembra que os preços das commodities surpreenderam até mesmo as entidades setoriais e que devem seguir em alta, como se vê pelos preços futuros dos contratos.

 


 

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