O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-6
O novo salário mínimo negociado pelo governo, de R$ 412,40, começará a valer em 1º de março. A informação foi dada ontem pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em entrevista ao programa Agência Estado no Ar, transmitido pela Rádio Eldorado. Sobre o mínimo atual, de R$ 380, o reajuste é de 8,52%.
Segundo o ministro, o valor foi negociado com as centrais sindicais.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-6
O novo salário mínimo negociado pelo governo, de R$ 412,40, começará a valer em 1º de março. A informação foi dada ontem pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em entrevista ao programa Agência Estado no Ar, transmitido pela Rádio Eldorado. Sobre o mínimo atual, de R$ 380, o reajuste é de 8,52%.
Segundo o ministro, o valor foi negociado com as centrais sindicais. ‘Nós estamos nos comprometendo a anualmente corrigir o mínimo com base no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos anteriores, no caso de 2006, e mais a variação da inflação.
O acerto com as centrais sindicais antecipando a data do salário mínimo para 1º de março foi posto no texto de um projeto de lei, encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional em janeiro de 2007, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O projeto já foi aprovado na Câmara, mas aguarda votação no Senado. Em 2009, pelo projeto, o mínimo será reajustado em 1º fevereiro e, em 2010, em 1º de janeiro.
Em 2011, a data também será 1º de janeiro. O projeto define ainda que o piso salarial será reajustado com base no crescimento real da economia de dois anos anteriores, acrescido da inflação do período, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Grau de Investimento
Na entrevista, o ministro do Planejamento disse que não vê motivos para que 2008 não seja o ano em que a economia brasileira seja promovida pelas agências de classificação de risco a grau de investimento. Para ele, o fato de o Brasil passar à condição de credor externo justifica a reavaliação do risco de o País dar um calote na dívida.
Bernardo acrescentou que, apesar do grau de investimento ser atribuído por agências independentes, o Brasil vive um cenário econômico muito favorável. ‘Se olharmos a avaliação dos títulos do tesouro nacional, isso é considerado como grau de investimento. Há uma aceleração nesse ritmo de aplicação de investimentos no Brasil, com certeza já na expectativa do investment grade’, avaliou.
O ministro acredita que a atribuição do grau de investimento não vai demorar a acontecer e isso mudará muito o perfil de investimentos no Brasil. ‘Tanto as empresas nacionais quanto as estrangeiras vão ter uma pressa que vai empurrar muito mais a nossa economia’, considerou.
Energia
Ainda na entrevista à Rádio Eldorado, Bernardo disse que os investimentos no setor energético serão suficientes para os próximos anos. ‘Nós achamos que as coisas que têm sido feitas, se tocadas, vão resolver o problema não só neste curto período, mas de maneira sustentável para as próximas décadas’, declarou.
O ministro discordou que o governo tenha demorado a olhar para a questão energética, embora reconheça que as recentes chuvas tenham ajudado a situação dos níveis das represas da usinas hidrelétricas.
Bernardo afirmou ainda que o governo acompanha permanentemente o desenvolvimento do setor, que desde 2003 vem refazendo a política energética do Brasil. ‘Há muita dúvida sobre se o investimento que nós fizemos no setor energético será suficiente para outros anos e eu digo que é’, acrescentou o ministro.
Confiança do consumidor fica estável neste mês
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) voltou, em fevereiro, a cair ante o mês anterior (0,4%). O resultado foi interpretado como de estabilidade pelo coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Aloisio Campelo. ‘Não há deterioração abrupta, parece haver expectativa de que a economia continuará com bom desempenho.’
Conforme a Sondagem, o índice de fevereiro foi de 116,7 pontos (quanto mais perto de 200, melhor). Em janeiro, havia sido de 117,2 e em dezembro, de 120,3. Segundo Campelo, sazonalmente o índice cai em fevereiro e este ano até foi bem melhor que em 2007, de queda de 1,3%.
Além disso, ele considera que o aumento de 1,1% no Índice de Expectativas (IE) em fevereiro ‘é condizente com a avaliação de que a economia terá um desempenho satisfatório nos meses seguintes’. O ICC é composto do IE e do Índice da Situação Atual (ISA), que caiu 3% em fevereiro, movimento também justificável sazonalmente, segundo ele.
Para o coordenador, a Sondagem ‘mostra que o consumidor continua com ímpeto comprador’. Segundo a pesquisa, 22,5% dos consumidores disseram, em fevereiro, que pretendem aumentar as compras de bens de consumo duráveis (móveis, eletrodomésticos). Em fevereiro do ano passado o porcentual era de 14,5%.