Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
O Banco Central ou melhor, as Autoridades Monetárias que tenham por missão o controle da inflação dispõem de dois mecanismos para regular o volume do crédito e da liquidez, que se situam na base de todo processo inflacionário derivado de um excesso da demanda agregada sobre a oferta global de bens e serviços. O primeiro mecanismo é o da clássica manipulação das taxas de juros. Elevando os juros promove-se o contingenciamento da propensão a consumir e a investir, com efeito decisivo na queda dos preços. Por seu turno, a elevação dos juros se processa por três vias: uma direta, que é a taxa de redescontos, que dá ou restringe o acesso dos bancos às reservas monetárias, e duas indiretas, via recolhimento compulsório ou operações de mercado aberto, ambas com o objetivo de alterar a curva dos juros.
O segundo mecanismo é o da regulação operacional do sistema financeiro, mediante a imposição de limites quantitativos e/ou qualitativos das operações de empréstimo.
As medidas clássicas do primeiro grupo, baseada na manipulação das taxas de juros, estão perdendo eficácia, na proporção em que diminui a liquidez monetária, ou seja a participação relativa da moeda (M1) no PIB nacional. Ganha força, então, a regulação operacional, que sempre existiu, mas foi abandonada na ante-véspera da crise mundial.
O sistema financeiro mundial viveu uma dolorosa experiência com o desmoronamento do sistema de securitização, baseado em uma alavancagem sem limites regulatórios e prudenciais, de que foram exemplo típico as carteiras e fundos sub-prime, nos Estados Unidos. Desde então, os países mais afetados pela crise vêm discutindo a necessidade de reimplantação de um sistema de regulação prudencial, capaz de evitar novo colapso e de proteger as economias dos indivíduos e empresas entregues à administração dos bancos.
A crise atingiu proporções incríveis, na medida em que as dívidas do sistema financeiro foram encampadas pelos Governos, gerando um colossal problema fiscal que, hoje, sufoca a maioria dos países da Europa.
O Brasil sofreu um tremendo golpe com a recessão mundial, como se pode ver pela queda de 22,7% de nossas exportações, em 2009. Entretanto, o sistema bancário brasileiro passou bem pela crise, justamente porque, de longa data, vinha observando rigorosamente os limites prudenciais dos Acordos da Basiléia.
Mas a desastrada experiência internacional parece que ainda não convenceu muita gente no Brasil. Há duas novidades no mercado, que consideramos totalmente inoportunas: uma é a criação do ETF na BM&F Bovespa, um “Fundo de Índices” negociado em pregão, mais uma “mesa” no cassino do mercado de capitais; outra é o CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários, que a Caixa Econômica Federal criou com base em sua carteira de crédito habitacional.
É importante que as autoridades tenham presente as pressões inflacionárias que
estão sendo criadas pela excessiva expansão do crédito, como é importante que os analistas do mercado alertem os investidores para os riscos potenciais dessas novas operações.
Jornal do Comércio, 25 de maio de 2011