O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-9
O gasto do brasileiro com serviços privados poderá atingir R$ 160 bilhões até o ano de 2015 e abre um novo mercado para as empresas, especialmente as varejistas, que têm contato direto com o consumidor. Neste ano, as despesas das famílias com serviços privados, que incluem, por exemplo, gastos com assistência técnica, reparos de roupas, garantia estendida e seguros, entre outros, devem somar R$ 120 bilhões, ou 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-9
O gasto do brasileiro com serviços privados poderá atingir R$ 160 bilhões até o ano de 2015 e abre um novo mercado para as empresas, especialmente as varejistas, que têm contato direto com o consumidor. Neste ano, as despesas das famílias com serviços privados, que incluem, por exemplo, gastos com assistência técnica, reparos de roupas, garantia estendida e seguros, entre outros, devem somar R$ 120 bilhões, ou 5% do Produto Interno Bruto (PIB). De cada R$ 100 que as famílias desembolsarem, R$ 11 serão destinados a serviços privados.
‘Esse cálculo é muito conservador. O potencial dos serviços é maior e pode chegar a 12% do PIB em oito anos’, afirma o economista-chefe do Núcleo de Estudos e Projeções Econômicas da consultoria Gouvêa de Souza & MD, Maurício Moura. Responsável pelas projeções apresentadas ontem no 10º Fórum de Varejo da América Latina, cujo tema foi a nova era de serviços no varejo, realizado pela consultoria, Moura diz que considerou em suas projeções a taxa média de crescimento do PIB de 4,5% ao ano até 2015.
O grande potencial desse novo filão de negócios é ratificado por uma pesquisa feita pela consultoria para avaliar os serviços do ponto de vista do consumidor. Em abril e maio deste ano, a consultoria ouviu 2.017 brasileiros das classes A, B e C nas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste e constatou que o consumidor está predisposto também a comprar serviços nas lojas onde adquire produtos. De acordo com a pesquisa, 90% dos entrevistados apontaram vantagens, como praticidade, rapidez, facilidade de locomoção, entre outras, ao ‘comprar’ serviços financeiros ou de outra natureza em lojas.
‘O varejo tem uma grande capilaridade, com lojas muito espalhadas, o que o torna um canal estratégico para prestação de serviços’, diz o sócio sênior da consultoria, Luiz Fernando Goes. Ele argumenta que a prestação de serviço pode ser um grande negócio para o comércio que tem uma marca forte. Isso porque serviço requer credibilidade, e uma marca confiável é essencial nesse caso
Oculto
Para Alberto Serrentino, sócio sênior da consultoria, o varejo tem um ativo oculto que começa a ser revelado com as recentes parcerias entre comércio e bancos. Uma análise dos negócios fechados entre o varejo e o sistema financeiro na prestação de serviços nos últimos cinco anos mostra que essas transações variaram entre 40% e 100% do patrimônio líquido das empresas varejistas.
Dados como cadastro, histórico de transações financeiras e a marca do varejo, exemplifica, são ativos que os varejistas têm em seu poder e até pouco tempo atrás desconheciam. Com essas transações, esse patrimônio oculto começa aparecer.
Nos cálculos do diretor-geral da consultoria, Marcos Gouvêa de Souza, a incorporação de serviços ao varejo pode aumentar em cerca de 50% o valor de mercado das empresas varejistas de eletroeletrônicos, moda (lojas de departamentos) e materiais de construção.
Nas lojas do Wal-Mart nos EUA, por exemplo, já é possível fazer uma consulta de urgência nas clínicas montadas dentro dos supermercados a um custo inferior ao de uma consulta médica. Já existem 76 clínicas espalhadas pelas lojas, cujo pronto atendimento é realizado por enfermeiros, conta o consultor.
No Brasil, a oferta de serviços no varejo está só começando, mas já dá sinais de vigor. No Carrefour, por exemplo, a segunda maior rede de supermercados do País, a prestação de serviços respondeu no ano passado por R$ 2 bilhões de um faturamento de R$ 12,9 bilhões. ‘A participação dos serviços no faturamento será crescente e esse é um grande diferencial entre os consumidores’, afirma o diretor de serviços da rede, Alexandre Ribeiro.