Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-3
A crise pela qual passa a economia americana em nada diminuiu o apetite das empresas brasileiras por fusões e aquisições, aponta levantamento da consultoria KPMG. No primeiro trimestre deste ano, foram realizadas 150 transações, alta de 34% sobre o total de 112 operações registado de janeiro a março de 2007. O desempenho foi o melhor já registrado para o período. O consumo interno foi o impulsionador dos negócios.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-3
A crise pela qual passa a economia americana em nada diminuiu o apetite das empresas brasileiras por fusões e aquisições, aponta levantamento da consultoria KPMG. No primeiro trimestre deste ano, foram realizadas 150 transações, alta de 34% sobre o total de 112 operações registado de janeiro a março de 2007. O desempenho foi o melhor já registrado para o período. O consumo interno foi o impulsionador dos negócios.
Outro fator que chama a atenção é o fato de que, historicamente, o primeiro trimestre do ano costuma ser o mais fraco em relação aos demais e tem representando – nos últimos levantamentos – menos de 20% do total das transações de todo o ano. As empresas nacionais foram as responsáveis pelo aumento e o conseqüente recorde das fusões e aquisições.
O número de transações relacionadas a compras feitas por companhias brasileiras dobrou em relação ao primeiro trimestre do ano passado: foram 113 negociações com este perfil, ante 55 em igual período de 2007.
“O mercado de fusões e aquisições dá sinais de que não foi influenciado pela crise nos Estados Unidos, mas não podemos nos esquecer que houve um agravamento há poucas semanas. O que observamos é que muitas empresas nacionais passaram pelo processo de abertura de capital (IPOs) e, portanto, dispõem de caixa para fazer aquisições. Ao todo, estas empresas realizaram 51 operações das 113 feitas por grupos nacionais. Acredito que ainda há recursos a serem gastos, o que deve manter o ritmo nos próximos meses. Isto deve ocorrer independentemente de novos IPOs ocorrerem ou não”, comenta Luís Motta, chefe de Fusões e Aquisições da KPMG.
No sentido oposto, o número de empresas estrangeiras adquirindo brasileiras caiu drasticamente, de 57 operações para 37, na comparação entre os três primeiros meses de 2007 e o igual período deste ano. Uma diminuição de 35%. O país que mais reduziu o apetite por investimento no exterior via aquisições foi os Estados Unidos, que lideraram apenas 12 aquisições com este perfil em 2008, contra 24 no primeiro trimestre do ano passado. De acordo com Motta, tudo indica que a crise do subprime está afetando a decisão de investimento dos países desenvolvidos, principalmente nos EUA.
Prova disso é que das aquisições lideradas por companhias brasileiras comprando empresas de capital estrangeiro – tanto as instaladas no exterior quanto no Brasil -, a maioria visou organizações de países desenvolvidos, principalmente os grupos americanos.
Serviços
A exemplo do resultado do Produto Interno Bruto (PIB), o consumo interno foi um dos impulsionadores dos negócios. Uma mostra disto está no fato de o setor de serviços ter registrado o maior de transações: o segmento de Tecnologia da Informação, líder em negócios, apresentou 17 transações, contra dez em igual período de 2007. Em segundo lugar figura o setor imobiliário, com 14 acordos, crescimento de 100% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
Outro setor que merece destaque é o de educação. As aberturas de capital realizadas pelas instituições de ensino do País fizeram com que as aquisições saltassem de apenas uma no período de janeiro a março de 2007, para 11 agora em 2008, ocupando a quinta posição do ranking. Já o segmento de alimentos, bebidas e fumo se manteve no mesmo nível dos três primeiros meses do ano anterior, com 12 operações.
“Neste setor houve negócios importantes no exterior realizados, principalmente, por frigoríficos. Mas de uma maneira geral, não podemos dizer que a desvalorização cambial, que torna os ativos no exterior mais atrativos, foi o principal responsável pelo avanço das transações no primeiro trimestre. Como pode se observar, o desempenho foi puxado por negócios feitos dentro do País”, acrescenta Motta.