Jornal do Commercio Editoria: Rio de Janeiro Página: A-25
O comércio do Estado do Rio de Janeiro gastou R$ 28,7 bilhões em segurança privada, de 2002 a 2007, segundo dados da pesquisa da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), divulgada ontem.
Jornal do Commercio Editoria: Rio de Janeiro Página: A-25
O comércio do Estado do Rio de Janeiro gastou R$ 28,7 bilhões em segurança privada, de 2002 a 2007, segundo dados da pesquisa da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), divulgada ontem. Contratação de seguranças, colocação de câmeras de vídeo e sistemas de segurança, por exemplo, representa 2,38% do faturamento, em média, das empresas, que se poderia ter criado cerca de 2 milhões de novos empregos nos últimos seis anos.
Os empregos gerados foram calculados considerando os profissionais com carteira assinada e salário em torno de R$ 700. Durante os seis anos pesquisados foram criados 621 mil empregos formais no estado, segundo o presidente da Fecomécio-RJ, Orlando Diniz, sobre os dados do Ministério do Trabalho.
“A violência tem grande impacto sobre o setor, é um investimento muito alto para o segmento. Se aplicado na geração de emprego, os quase R$ 28 bilhões poderiam ser usados para criar 1,9 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, no estado”, explicou Diniz.
As soluções dadas pela população para a violência foram: a geração de emprego e a colocação de mais policiais nas ruas; a implementação de mais programas de primeiro emprego para os jovens; implementação de ações sociais para crianças de sete a 14 anos fora do horário escolar; e a aprovação de leis mais duras e penas mais longas.
“A sociedade está madura e sabe que a solução para diminuir a violência não vai ser feita da noite para o dia, é um processo longo, como deslocar os recursos privados de segurança para geração de novos empregos a longo prazo, e com uma política social de inclusão”, defendeu.
A pesquisa mostrou que a população consegue identificar o problema e sabe que para a solução ser feita tem que ser implementada a longo prazo. Para 78% dos entrevistados a impunidade aumentou, e 60% acreditam que o principal responsável pelo combate a criminalidade é o Governo Federal.
“Elas querem uma justiça mais dinâmica e com leis atualizadas. A percepção da sociedade é de que a segurança pública é uma atribuição do Governo federal, acredito que principalmente em função das obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), do uso da Força Nacional de Segurança e das atuações da polícia federal no Estado. É a União que deve nortear as políticas de segurança, os estados apenas adaptariam essas leis para as peculiaridades de cada região”, argumentou.
A pesquisa foi feita em fevereiro desse ano com 1000 pessoas, em nove regiões metropolitanas e em 70 cidades do país. “A pesquisa é uma radiografia do que acontece no nosso estado e pode ajudar as autoridades no desenvolvimento de políticas públicas de segurança. Somos a porta de entrada de muitos jovens no mercado de trabalho e, por estarmos perto da sociedade, um termômetro do pensamento da população”, afirmou.