Valor Econômico Editoria: Opinião Página: B-1
Favorecida por uma forte queda no preço da soja no atacado, de 8,12%, a primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apresentou leve desaceleração, com alta de 0,33% em abril, ante 0,34% em igual período em março.
Valor Econômico Editoria: Opinião Página: B-1
Favorecida por uma forte queda no preço da soja no atacado, de 8,12%, a primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apresentou leve desaceleração, com alta de 0,33% em abril, ante 0,34% em igual período em março. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), que anunciou ontem o índice, informou que, mesmo com a taxa menor, ainda foram detectados aumentos de preços persistentes, tanto no atacado quanto no varejo e na construção civil.
Mas a esperada manutenção de queda do preço da soja no atacado pode conduzir a um IGP-M de abril menor do que o de março (0,74%). O índice, usado para o reajuste de preços de aluguel e de energia elétrica, acumula elevações de 2,71% no ano, e de 9,41% em 12 meses.
Segundo o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, o impacto da deflação na soja foi tão grande que derrubou a inflação no setor atacadista. Neste segmento, a taxa foi reduzida pela metade (de 0,52% para 0,26%), da primeira prévia de março para igual prévia em abril.
Recentemente, foram divulgadas notícias sobre as expectativas de safra de soja nos Estados Unidos, que são muito otimistas, superando projeções. Além disso, a oferta do produto no mercado interno começa a melhorar, o que derrubou os preços do item no atacado. “A soja foi determinante para esse resultado”, disse o economista. Ele não descarta novas quedas no preço do produto, por causa das boas projeções de safra no Brasil e no exterior.
A deflação da soja no atacado foi tão importante que acabou anulando, no cálculo do IGP-M, os efeitos inflacionários das taxas do varejo (-0,17% para 0,40%) e da construção civil (0,34% para 0,59%). Isso porque esse produto é o item agrícola de maior peso na formação da inflação do setor atacadista, que, por sua vez, é o de maior contribuição na formação geral do IGP-M.
Indústria
A taxa menor da primeira prévia de abril não interrompeu a alta de preços no setor industrial no atacado. Os produtos industriais subiram de 0,59% para 0,96%, da primeira prévia de março.
Para Quadros, esses preços “estão numa fase de pressão, que não parece que vai passar rapidamente”. Segundo ele, existem alguns poucos, mas importantes, segmentos, na indústria, que estão puxando para cima a inflação do setor.
Entre eles está o setor de fertilizantes, cujos preços subiram 25,54% na primeira prévia de abril, ante 16,28% na primeira prévia de março. Outro setor a ser acompanhado com atenção é o de metalurgia básica. Itens importantes já vêm mostrando aceleração. É o caso de ferro-gusa e ferroligas (6,55% para 8,94%) e metais não-ferrosos (0,17% para 0,73%).
Segundo Quadros, essa movimentação é resultado de demanda maior do que oferta, nos mercados brasileiro e internacional. Além disso, que os preços dos produtos siderúrgicos também devem ser acompanhados de perto, embora tenham mostrado desaceleração (de 0,78% para 1,06%). “Essa elevação menos intensa não é suficiente para dizer que esse tipo de produto continuará em desaceleração. Pode ser que volte a subir mais.”