Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
A Fundep – Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, em estudo recente, de alto significado técnico, concluiu que o grau de desenvolvimento dos países não se mede pela quantidade, mas sim pela qualidade. O mesmo poderia ser dito sobre a educação, até mesmo por sua estreita relação com o desenvolvimento econômico e social.
Nos últimos cinqüenta anos, a estrutura do ensino, no Brasil, sempre esteve associada ao crescimento da população.
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
A Fundep – Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, em estudo recente, de alto significado técnico, concluiu que o grau de desenvolvimento dos países não se mede pela quantidade, mas sim pela qualidade. O mesmo poderia ser dito sobre a educação, até mesmo por sua estreita relação com o desenvolvimento econômico e social.
Nos últimos cinqüenta anos, a estrutura do ensino, no Brasil, sempre esteve associada ao crescimento da população. Em 1950, éramos apenas 52 milhões de brasileiros e o nível de educação, entre nós, era tido como razoável, principalmente na faixa do antigo curso ginasial, que abrigava jovens dos 12 aos 17 anos. Não eram muitos os estudantes que alcançavam o ensino superior, nas Faculdades, mas o ensino básico, embora deficiente, em número de escolas, visivelmente tinha boa qualidade.
A partir das décadas iniciadas após a 2ª Guerra Mundial, o crescimento rápido da população criou um problema que, até então, passara despercebido: o da massificação do ensino. O avanço das inovações tecnológicas provocou profundas mudanças na estrutura da produção, tanto na agricultura, como no comércio e na indústria, aumentando a demanda por mão-de-obra qualificada, dotada de conhecimentos básicos indispensáveis para adaptar-se às novas técnicas do moderno processo de produção.
A massificação do ensino básico fez-se representar pelo excesso de contingente de estudantes, gerando um sério engarrafamento no acesso às escolas superiores. O ensino público e gratuito ficou muito distante das necessidades da população, problema visivelmente agravado pela falta de preparação de professores. As escolas privadas ganharam espaço e, sem dúvida, promoveram importante melhoria na qualidade do ensino. Mas, infelizmente, ficaram fora do alcance das famílias de baixa renda, agravando o problema das desigualdades sociais.
Em diversas oportunidades, sucessivos Governos procuraram dar uma solução a esses problemas, porém, sem um resultado concreto. Conseguiu-se, é verdade, colocar nas escolas de ensino fundamental, de responsabilidade dos governos municipais, 97% das crianças de 7 a 14 anos. Um resultado significativo, não fossem os aspectos negativos de que se reveste: a evasão no ensino fundamental é enorme. O principal motivo entre as 51 razões arroladas como causadoras da infreqüência da clientela de 7 a 18 anos é a falta de interesse dos alunos pelo ensino oferecido nas escolas da rede pública (43%) e menos de 30% dos alunos conseguem chegar ao ensino médio, onde a situação é ainda pior. Dos jovens na faixa etária de 18 aos 24 anos, aproximadamente 62% estão fora da escola e apenas 13% freqüentam o ensino superior.
Pode-se dizer que, do ponto de vista da quantidade, o sistema de ensino vai bem. Entretanto, no que se refere à qualidade, os resultados são lamentáveis.
No exame realizado em 2006 pela Pesquisa Internacional de Avaliação do Aluno (PISA), do qual participaram estudantes de 90 países, o Brasil foi classificado entre os últimos colocados, em três matérias fundamentais: matemática, ciência e leitura (português). Ficou em 72º lugar.
Quase a metade dos alunos que terminam a 8ª série do ensino fundamental não sabe ler corretamente ou não sabe interpretar o que lê. Menos ainda, escrever. No ensino médio, a situação não é muito diferente, quando se verifica que somente um terço dos que concluem o ensino básico conseguem entrar nas escolas superiores.
Foi por esse motivo que o Governo do Presidente Lula criou o ProUni, que garante vaga nos cursos universitários a 300 mil alunos, inclusive negros e índios, provenientes das escolas públicas, nas quais a questão da qualidade é proeminente, pelas dimensões de suas deficiências. A simples justificativa para o sistema de quotas, para ingresso nas Universidades, é uma evidência da baixa qualidade das escolas públicas de ensino médio.
As razões para que a qualidade no ensino básico – níveis fundamental e médio – seja tão baixa são múltiplas: começa com a deficiente estrutura e falta de equipamentos das escolas e prossegue com a falta de formação e de motivação dos professores, da ausência do tempo integral dos alunos e dos professores, dos currículos mal elaborados, da falta de bons livros didáticos, do baixo salário dos professores, da falta de alimentação nas escolas, etc. É um quadro verdadeiramente dramático.
Publicado no Jornal do Commercio de 28/04/2008, Caderno Opinião, pág. A-15.