Primeira edição da Colônia Azul é destaque no Sesc Goiás

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O mês de julho terminou com sentimento de saudade para 20 crianças autistas de Goiás. Elas participaram da primeira edição do projeto experimental Colônia Azul, realizado pelo Sesc Universitário. A colônia foi voltada para a integração das crianças, que vivenciaram, na companhia de seus responsáveis, três dias de troca de saberes, aprendizados, descobertas e muita diversão. O serviço foi adaptado ao ritmo delas e oferecido gratuitamente à comunidade.

O responsável técnico de recreação da unidade na capital, Dione Rezende, contou que a ideia surgiu quando uma mãe, que já levava seus dois filhos autistas para participar do Sesc Mais Lazer, citou a proximidade das férias. “Conversando com ela percebi que o público autista é muito ativo em Goiânia, buscando direitos, engajados na luta de políticas públicas. Essa mãe, que faz parte da  Associação dos Familiares e Amigos do Autista de Goiás (AFAAG), sugeriu fazermos algo exclusivo nestas férias. E, depois de uma reunião, discutimos parâmetros e colocamos em prática”, relatou.

Toda a equipe de recreadores se dedicou a estudar mais o autismo, em seus diferentes graus, a fim de se sentir mais preparados para receber as crianças. Para Dione, o resultado foi além do esperado. “Foi muito gratificante. A unidade inteira ficou envolvida e comovida com as histórias. Essas crianças existem, esses pais existem, e a necessidade de ter lazer para eles existe muito mais”, declarou. 

Para tornar o momento mais aconchegante, cada criança inscrita pôde levar até dois acompanhantes. Foi montado um cardápio especial na cantina, totalmente adaptado por nutricionista. A programação contou também com a participação dos voluntários do Cosplay Classe A, levando a criançada para o mundo da fantasia com a oficina Somos Grandes Heróis. Também teve contação de histórias na biblioteca com direito a kits presenteáveis para os pequenos.

Transformações positivas

Para a dona de casa Edjane Aparecida Barbosa, de 40 anos, a Colônia Azul foi um marco importante tanto para ela quanto para seu filho, Jorge Luis, de 8 anos. Moradora de Aparecida de Goiânia, disse que recebeu o laudo constatando o autismo do menino no início deste ano. “Tenho quatro filhos, mas, sendo mãe de autista, eu estou igual à mãe de primeira viagem. Aqui trocamos experiências, aprendi direitos que eu não sabia que ele tinha. O Jorge ficou menos estressado”, revelou. 

O estudante Augusto Júnior Oliveira, de 23 anos, se inscreveu para ser voluntário durante os três dias da colônia. Prestes a se formar em Educação Física, o jovem relatou que a experiência foi agregadora. “Muito interessante poder trabalhar com este público. Na faculdade eu já vi muita teoria, mas precisava sentir na prática. É muito além. Vou levar daqui mais valor à vida. Um valor enorme” concluiu.

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