Gazeta Mercantil Editoria: Finanças Página: B-1
Os fundos de previdência privada, PGBL e VGBL, que são planos de aposentadoria comercializados pelas seguradoras, fecharam 2007 com um volume recorde de recursos destinados para os chamados modelos compostos, como são classificados os fundos que aplicam até 50% de seus recursos em ações. No ano passado, os fundos captaram R$ 13,77 bilhões. Desse total R$ 12,22 bilhões foram para os fundos que aplicam em renda variável enquanto R$ 1,54 bilhão rumou para os de renda fixa.
Gazeta Mercantil Editoria: Finanças Página: B-1
Os fundos de previdência privada, PGBL e VGBL, que são planos de aposentadoria comercializados pelas seguradoras, fecharam 2007 com um volume recorde de recursos destinados para os chamados modelos compostos, como são classificados os fundos que aplicam até 50% de seus recursos em ações. No ano passado, os fundos captaram R$ 13,77 bilhões. Desse total R$ 12,22 bilhões foram para os fundos que aplicam em renda variável enquanto R$ 1,54 bilhão rumou para os de renda fixa.
Foi uma mudança bastante acentuada se comparada a 2006, quando dos R$ 11,82 bilhões captados, R$ 10,11 bilhões foram para os fundos de renda fixa e R$ 1,71 bilhão para as carteiras de renda variável. É o que mostra pesquisa realizada pela consultoria NetQuant, com um universo de 289 fundos.
Segundo a NetQuant, em 2007 a captação total dos fundos aumentou 16,5% em relação à 2006, com o patrimônio líquido atingindo R$ 90,90 bilhões. Apesar do aumento da renda variável em 2007, a renda fixa ainda representa a maior parte do patrimônio liquido do setor:
23,38% estava aplicado em fundos com renda variável (R$ 2,25 bilhões) e 76,62% em fundos multimercado sem renda variável e de renda fixa (R$ 69,65 bilhões), no ano passado., mostra a pesquisa.
Para o presidente da NetQuant, Marcelo Nazareth, a tendência é de que as aplicações em ações continuem crescendo neste ano. “É natural que as pessoas continuem investindo no que teve bom resultado no passado recente”, afirma. Para 2008, porém, ele prefere não arriscar uma previsão. “Do ponto de vista técnico há uma preocupação com o que está acontecendo no mercado internacional. O desdobramento da crise gerada pelo estouro da bolha imobiliária americana é cada vez mais preocupante.” No mercado interno também há nuvens no horizonte trazidas pela inflação, acrescenta.
Aumento depende do juro
Na avaliação de Marco Antônio Rossi, presidente da Bradesco Vida e Previdência, se as taxas de juros caírem mais a procura por aplicações em fundos de renda variável terá um aumento acentuado. Se ficarem no patamar atual deverá ser semelhante à de 2007, acrescenta. “A renda variável casa bem com os fundos de previdência por serem um produto de longo prazo.” Mas o clima favorável da economia brasileira e global pesa na atratividade do mercado de ações e nas decisões dos investidores, analisa Rossi. A seguradora está fechando 2007 com um patrimônio de R$ 34 bilhões em PGBL e VGBL, dos quais 77,9 % na renda fixa e 22,1% em ações, informa.
Ganho maior
Quem investiu nos fundos com renda variável obteve as melhores rentabilidades em 2007. Os fundos com até 15%, 30% e 50% em ações obtiveram ganho no ano de 12,81%, 16,23% e 20,33% respectivamente por categoria. Já o retorno da renda fixa ficou na faixa de 9,01% e 9,57%, conforme o estudo da NetQuant.
Os fundos com alocação em renda variável poderiam ter obtido ainda melhores rentabilidades se tivessem aproveitado toda a alocação em ações permitida para os fundos. Aqueles que podem aplicar até 50% em ações, por exemplo, alocaram na prática 25,56% (em média); os até 30% alocaram apenas 18,53% e os até 15% que investiram de fato cerca de 9,01% em ações.
Na opinião de Nazareth, o administrador do fundo deve ficar atento ao desejo do investidor.
“Se o desejo do investidor é aplicar em um fundo até 50% em renda variável, uma aplicação de 25,56%, como a praticada em média neste perfil pelas administradoras de recursos, está inadequada. Se ele quisesse investir menos em ações teria optado por um fundo até 30% em ações.”.
As duas maiores seguradoras no mercado de previdência complementar, que melhor aproveitaram essa tendência, foram a Bradesco Vida e Previdência, que captou no ano um volume de R$ 5,39 bilhões e o Itaú Vida e Previdência, com R$ 2,28 bilhões. Juntas elas captaram 63,09% do volume destinado aos fundos com renda variável. A BrasilPrev, seguradora controlada pelo Banco do Brasil e pelo grupo global Principal, que é terceira no ranking do mercado de previdência privada local, foi a recordista em captação nos segmentos de renda fixa (que inclui os fundos multimercados sem renda variável) com R$ 1,70 bilhões em 2007.
O aumento da captação dos fundos com ações abriu a possibilidade de mudanças na classificação dos fundos com renda variável, que devem ser discutidas pela Susep (Superintendência de Seguros Privados).