O segundo dia de atividades do 31º Congresso Nacional de Sindicatos Patronais do Comércio de Bens, Serviços e Turismo teve início com a palestra do economista Samy Dana, sobre perspectivas econômicas para o Brasil.
O segundo dia de atividades do 31º Congresso Nacional de Sindicatos Patronais do Comércio de Bens, Serviços e Turismo teve início com a palestra do economista Samy Dana, sobre perspectivas econômicas para o Brasil.
“Acredito que os empresários do Brasil são os grandes heróis do País. Sempre foi difícil fazer negócios no Brasil”, afirmou Dana, apontando a previsão do FMI para o PIB brasileiro de redução de 1,1% para este ano. “Cresceremos menos que os países desenvolvidos e menos que os países em desenvolvimento. Estamos, de fato, indo pior que os outros, e não podemos culpar nossos vizinhos, sejam das Américas, sejam da Europa”, disse o economista.
“O Brasil não é competitivo”, enfatizou Dana, apontando a imprevisibilidade do dólar como um dos fatores que afetam os negócios dos comerciantes. “Dólar, taxa de juros e inflação deixam o cenário hostil para os empresários, e isso, de certa forma, decorre da falta de uma política consistente de sinalização do governo”, afirmou o economista. A carga tributária e a falta de educação básica para a população foram outros fatores mencionados por Dana para explicar o macrocenário da economia brasileira. O sistema contábil brasileiro também foi indicado por ele como obstáculo ao desenvolvimento da atividade comercial. “Temos um país onde sempre haverá emprego para contadores e advogados, para nos explicar as exigências”, afirmou, com bom humor.
Ao falar de produtividade, Dana afirmou que, muitas vezes, o treinamento de mão de obra onera mais o negócio do que o próprio salário do empregado. A alta rotatividade dos trabalhadores também foi indicada como entrave para os varejistas. “Perdemos, em produtividade, para Uruguai e África Sul”, disse o palestrante, ao citar dados do Conference Board sobre produção. “E a evolução do salário não foi acompanhada pelo aumento de produtividade de mão de obra. Nesse ponto, o desemprego será saudável para o Brasil, pois passaremos a ter salários reais”, declarou.
Para Sami Dana, ao não promover a redução de impostos e, com isso, deixar a economia crescer, o ministro da Fazenda, Joaquim Leyv, não é liberal – o economista partiu da premissa de que um liberal confia na força do mercado. “A lógica de aumentar impostos está longe da lógica de uma economia livre”, disse.
Boas notícias
Mas nem tudo são notícias ruins para os empresários. O potencial da população jovem para o consumo é um dos pontos positivos do cenário atual apontados por Samy Dana. “O País tem cerca de 100 milhões de brasileiros com menos de 30 anos, o que significa um potencial de vendas enorme”, afirmou. Jovens consomem mais, por vários motivos, entre eles a existência de uma indústria com mais ofertas para os jovens. “Temos um potencial de consumo invejável”, contextualizou o economista.
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