Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
No dia 2 de outubro, quando o Presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, anunciou que os Jogos Olímpicos de 2016 serão realizados no Rio de Janeiro, a Nação foi tomada de imensa euforia. A escolha significa a realização de um sonho antes tentado e finalmente alcançado, incluindo, pela primeira vez, a América do Sul na história das Olimpíadas da Era Moderna.
A realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro representa oportunidade única para o resgate de áreas degradadas da cidade, mediante um programa de investimentos em infra-estrutura urbana. Barcelona, ao sediar os jogos de 1992, renovou boa parte da cidade velha, que estava de costas para o mar, permitindo aos seus habitantes recuperar a visão do Mediterrâneo. Certamente é um exemplo que poderíamos chamar de “efeito Barcelona”, a principal motivação de nossas autoridades, nos três níveis de governo: federal, estadual e municipal, os quais conjugaram ações que resultaram na escolha do Rio de Janeiro como sede dos jogos que vão suceder aos jogos de Londres.
Todavia, a empreitada não é de pouca monta e será preciso a administração eficiente de um orçamento que, no momento, está estimado em 26 bilhões de reais. Cabe chamar a atenção sobre o imperativo da capacidade gerencial, uma vez que os editais de licitação das obras públicas terão de ser elaborados de modo a evitar os constantes atritos entre o Executivo Federal e o Tribunal de Contas, em torno da condução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
As Olimpíadas correspondem a um evento único no tempo, mas as obras e trabalhos por elas motivados devem ter uma serventia post-jogos, beneficiando em definitivo os habitantes da cidade sede. A Olimpíada gera uma explosão pontual de demandas e é nesse sentido, por exemplo, que cabe indagar até onde será levada a expansão da rede hoteleira e o uso futuro de instalações primordialmente voltadas para o atletismo.
É claro que com engenho e arte nossas administrações públicas e nosso setor privado certamente levarão em conta estes e outros pontos. Será preciso ter em conta que, além dos investimentos físicos, será necessário investir no elemento humano, o qual tem duas vertentes: a primeira certamente uma preocupação do Comitê Olímpico Brasileiro, voltada diretamente para a Olimpíada, trata da formação dos atletas nas diversas modalidades de esportes, para que o país hospedeiro possa ter uma representação honrosa no quadro de medalhas. Nesse contexto, não há de faltar o patrocínio a este ou aquele esporte ou, alternativamente, a este ou aquele atleta, garantido pelas empresas sob controle estatal e empresas privadas de grande porte. Este é um dos aspectos mercadológicos dos jogos que permite consolidar, perante milhões de espectadores, a imagem de empresas e marcas e que seguramente estará em evidência, numa forma de financiamento indireto, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, mesmo que o patrocínio seja assimétrico, pela maior popularidade de uma modalidade de esporte sobre outra, ou das chances de determinados atletas quanto a bons resultados.
A segunda vertente reside na capacitação do entorno humano do evento. Até o momento, os meios de comunicação, a não ser na questão da segurança coletiva, têm dado pouca atenção a esse aspecto primordial para o êxito dos jogos. È evidente que a realização das Olimpíadas não pode transformar a cidade numa praça de guerra. Mas é evidente, também, que a cidade há de estar preparada para receber milhares de visitantes, vindos de outras regiões do país e do exterior.
Nesse aspecto da preparação das Olimpíadas de 2016, o sistema CNC, através do SENAC nacional e regionais, já tem em andamento ampla gama de projetos para formação e capacitação profissional das pessoas que vão ser requisitadas para esses trabalhos. De certo modo, a realização dos jogos da Copa do Mundo em doze capitais do País vai propiciar a criação de um novo contingente de mão-de-obra, com experiência, que será aproveitada principalmente na cidade do Rio de Janeiro. O SENAC já está oferecendo cursos que abrangem os serviços de turismo em seus diversos aspectos, desde as atividades do ramo da hotelaria, até o ensino de idiomas, como o inglês e o espanhol. O Sistema CNC já pôs mãos à obra, até porque 2016 não representa um prazo dilatado, quando se tem em conta o tempo de construção das obras programadas para esse extraordinário evento.
Publicado no Jornal do Commercio, de 12/01/2010.