Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
A sociedade moderna, surgida com a Revolução Industrial, em meados do século XVIII, recebeu um enorme benefício em termos de melhoria da qualidade de vida, proporcionada pelas inovações nos meios de transporte, na calefação das residências, na disponibilidade dos utensílios domésticos e instrumentos de trabalho, com destaque, nos últimos tempos, para os avanços da medicina e da tecnologia dos meios de comunicação.
Antonio Oliveira Santos
Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
A sociedade moderna, surgida com a Revolução Industrial, em meados do século XVIII, recebeu um enorme benefício em termos de melhoria da qualidade de vida, proporcionada pelas inovações nos meios de transporte, na calefação das residências, na disponibilidade dos utensílios domésticos e instrumentos de trabalho, com destaque, nos últimos tempos, para os avanços da medicina e da tecnologia dos meios de comunicação.
A soma de todos esses benefícios econômico-sociais teve e está tendo um custo alto, em termos quantitativos da exaustão dos recursos naturais e qualitativo da poluição da atmosfera, dos solos e das águas, assim como da destruição de grandes áreas de florestas.
Em 1971, o Clube de Roma lançou um brado de alerta sobre os danos ambientais e exaustão das reservas de energia, cujas consequências certamente imporiam perigosos limites ao crescimento econômico (The Limits of Growth), em um cenário catastrófico de “crescimento zero”. Na Reunião da ONU, em Estocolmo, em 1972, o debate sobre a exaustão dos recursos materiais foi aprofundado, tendo em vista a contínua expansão da população mundial, especialmente nos países menos desenvolvidos do Terceiro Mundo.
Por trás de todos esses acontecimentos está o fato espantoso de que a população do mundo havia crescido de quatro bilhões em 1974 para seis bilhões em 1998. E mais grave ainda: a população total chegou a 7 bilhões em 2011 e caminha para 9 bilhões antes de 2050.
Estão colocadas frente a frente, atualmente, duas questões fundamentais: 1) a preservação dos recursos naturais (desenvolvimento sustentável) e 2) o agravamento da pobreza e da fome nos países menos desenvolvidos. Esses vão ser os temas básicos da Reunião da ONU (Rio + 20), no próximo mês de junho, no Rio de Janeiro. Evidentemente, está faltando em terceiro item na pauta dos debates: a explosão demográfica e o controle populacional.
A maior ameaça de uma mudança climática, qualquer que sejam suas causas, é a fome para centenas de milhões de pessoas. Ao que se sabe, em 1950, havia três vezes mais habitantes na Europa do que na África; hoje, há quase 20% a mais na África do que na Europa. Essa é a base da forte pressão social para a imigração. O mesmo acontece com o México, o Haiti e outros países do Caribe, em relação aos Estados Unidos.
Impressionantemente, ninguém tem coragem cívica ou política de levantar esse terceiro ponto na agenda dos debates. É muito mais cômodo e talvez mais lucrativo propor a criação de um Fundo Verde, com gastos de US$ 100 bilhões anuais, um Fundo Florestal, um mercado de carbono, entre outras medidas de puro caráter financeiro. É impressionante a inegável prevalência que está sendo conferida à questão financeira, acobertando possíveis interesses comerciais. Entre eles, continua de pé o discutível Protocolo de Kyoto, baseado em um suposto efeito estufa que justificaria um lucrativo mercado de compra e venda de certificados de carbono. Tudo isso virá à tona na Conferência Rio + 20, que já vai assumindo uma feição econômico-financeira muito mais do que ambiental.
Esse jogo financeiro distorce e deturpa os fundamentos de uma proposta séria e honesta, como a que se contém no Relatório Brundtland, de 1987. O elevado enfoque da preservação ambiental está sendo desvirtuado pela prevalência do enfoque comercial-financeiro.
O maior legado da Rio-1992 foi, sem dúvida, a consciência ambiental do desenvolvimento sustentável. A Rio + 20, ao enveredar por outros caminhos, pode complicar e desfigurar esse conceito.
Jornal do Commércio, 12 de março de 2012