O ambiente econômico em 2008

Compartilhe:

Jornal do Commercio  Editoria: Opinião  Página: A-19 


Antonio Oliveira Santos

Presidente da Confederação Nacional do Comércio




A julgar pelas expectativas da indústria, que certamente repercutem sobre o comércio e serviços, o ano de 2008 afigura-se promissor. É isso que se depreende da Sondagem de Conjuntura realizada pela Fundação Getúlio Vargas, em novembro do ano passado, que é um inquérito de opinião com amostra constituída por 650 empresas dos diversos ramos da indústria e que coloca seu foco sobre três temas: faturamento, investimentos e emprego.

Jornal do Commercio  Editoria: Opinião  Página: A-19 


Antonio Oliveira Santos

Presidente da Confederação Nacional do Comércio




A julgar pelas expectativas da indústria, que certamente repercutem sobre o comércio e serviços, o ano de 2008 afigura-se promissor. É isso que se depreende da Sondagem de Conjuntura realizada pela Fundação Getúlio Vargas, em novembro do ano passado, que é um inquérito de opinião com amostra constituída por 650 empresas dos diversos ramos da indústria e que coloca seu foco sobre três temas: faturamento, investimentos e emprego.


Do ponto de vista econômico, 2007 foi um bom ano e a evolução prevista para 2008 apresenta-se igualmente favorável. O número de empresas que antecipam uma elevação no faturamento real (descontada a inflação prevista), alcança 75% da amostra.


Quanto aos investimentos em máquinas e equipamentos, as previsões superam largamente as pesquisas feitas para igual período do ano anterior. Com efeito, 53% das empresas abrangidas pela Sondagem pretendem investir mais em comparação com os 38% que faziam a mesma previsão na passagem de 2006 para 2007. Esses investimentos concentrados na expansão de instalações industriais já implantadas, começarão a frutificar no decorrer de 2008, em sua maioria.


Com relação ao nível de emprego, embora novos investimentos signifiquem aumento da produtividade do trabalho, nem por isso as previsões são de contenção do emprego. Muito ao contrário, a proporção de empresas que pretendem empregar novos trabalhadores alcança 46%, comparados aos 40% previstos para 2007.


Os dados da Fundação Getúlio Vargas indicaram que, no final de 2007, a confiança dos consumidores, nunca foi tão alta (114 pontos), desde quando esse indicador começou a ser construído. Contudo, em relação aos primeiros meses de 2008, o nível de confiança esperado é menos favorável, nada, porém, que possa comprometer a expectativa da mais um ano de bonança econômica.


Como é evidente, a materialização de quaisquer previsões contém significativa margem de risco, quando não de incerteza. Esta pode advir de mudanças já prenunciadas na economia mundial, tais como o arrefecimento do ritmo alucinante do crescimento econômico da China, a recessão nos Estados Unidos provocada por contenção do consumo forçado pela crise do refinanciamento das hipotecas e as conseqüências de uma eventual e parcial substituição do dólar pelo euro, como moeda de referência no comércio internacional.


No Brasil, algum risco já configurado poderá resultar de uma potencial pressão inflacionária advinda da política fiscal, que continua muito flexível, senão leniente em relação ao gasto público. Há, entretanto, uma atualização positiva em relação ao serviço da dívida pública que, há cinco anos, chegou a tangenciar 60% do PIB, e atualmente, com a queda da taxa básica de juros, deve absorver recursos que representam menos de 45% do referencial. Mantida a política dos primeiros anos do atual Governo, os superávits nas contas públicas seriam destinados ao pagamento dos juros, podendo reduzir a relação dívida/PIB e chegar, até mesmo, a diminuir a carga tributária.


Infelizmente, em 2007, enquanto caiam os juros, os demais gastos públicos continuaram em expansão. Essa atitude expansionista ficou comprometida pela recusa do Senado em aprovar a prorrogação da CPMF, o que torna necessária uma nova orientação orçamentária, em linha com o compromisso de manter as metas inflacionárias.


Os dados hoje disponíveis para a indústria geram expectativas alentadoras para o corrente ano. Contudo, sua realização vai depender, no plano externo, da pronta capacidade da economia em adaptar-se a uma nova conjuntura mundial e suas possíveis repercussões no plano interno.


 


 

Leia mais

Rolar para cima