Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-3
O responsável da Moody’s pela avaliação do risco soberano dos países da América Latina, Mauro Leos, admitiu ontem que o Brasil pode alcançar o grau de investimento em moeda estrangeira no momento em que zerar sua dívida externa líquida. “Não se pode descartar isso, mas tudo irá depender da evolução de outros indicadores, como o fiscal.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-3
O responsável da Moody’s pela avaliação do risco soberano dos países da América Latina, Mauro Leos, admitiu ontem que o Brasil pode alcançar o grau de investimento em moeda estrangeira no momento em que zerar sua dívida externa líquida. “Não se pode descartar isso, mas tudo irá depender da evolução de outros indicadores, como o fiscal. As condições externas devem continuar favoráveis”, afirmou, no Seminário Desafios da Economia Brasileira, promovido em São Paulo pela Associação das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).
Recentemente, a Moody’s colocou a nota brasileira em revisão. Hoje, ela está dois degraus abaixo do grau de investimento, enquanto nas outras agências classificadoras internacionais, Standard & Poor’s e Fitch Rating, está a apenas um passo do selo de qualidade almejado. Embora otimista, Leos disse acreditar que o Brasil não deverá alcançar o grau de investimento na próxima revisão. “As projeções indicam que os dois indicadores, fiscal e externo, estão melhorando rapidamente, mas ainda há brecha entre o Brasil e demais países com grau de investimento”.
Solvência
O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ex-ministro das Telecomunicações do governo Fernando Henrique Cardoso, Luiz Carlos Mendonça de Barros, também presente ao seminário, disse que a dívida total do setor público e privado menos as reservas cruzará o eixo zero dois anos antes do previsto, portanto, entre este ano e o próximo. “Se dependesse só da solvência, o grau de investimento já teria chegado. Seria necessário, ao menos, estancar o aumento dos gastos correntes e previdenciários”, afirmou Mendonça de Barros.
O professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Edmund Phelps, ganhador do Prêmio Nobel da Economia no ano passado, avaliou que o Brasil precisa ter novas instituições financeiras que financiem os pequenos empreendedores. “Embora eu não seja especialista em Brasil, tem muita coisa dando certo no País, mas para o Brasil se tornar o primeiro do mundo terá que fazer mudanças. O sistema financeiro terá de ser mais parecido com o da Inglaterra e o mercado de trabalho terá de ser reexaminado”, disse. Para o professor, o Brasil está se tornando “mais sério” do que outros países da América Latina, que “não estão indo a lugar nenhum”.
O presidente da Acrefi, Érico Sofré Quirino Ferreira, tambpem defendeu reformas para o Brasil, como a fiscal, previdenciária, trabalhista, política e, sobretudo, a da educação. “A reforma política é muito complicada e delicada, mas deveria aproximar o eleitor do eleitor pois do jeito que está não dá para continuar. Mas a principal reforma é a da educação, que é a mãe de todas. O Brasil tem 208 mil escolas e 24 milhões de analfabetos. E dos alfabetizados, 75% são analfabetos funcionais, ou seja, lêem mas não entendem”, afirmou.