Mercado reage à indefinição

Compartilhe:

O Estado de São Paulo    Editoria: Economia     Página: B-2


As sucessivas declarações de integrantes do governo sobre alternativas em estudo para impedir a supervalorização do real e também conter o aumento da inflação após o grau de investimento trouxeram incertezas e ampliaram as especulações no mercado financeiro.


Ontem, o mercado mais uma vez foi influenciado por boatos e pelas declarações dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Miguel Jorge.

O Estado de São Paulo    Editoria: Economia     Página: B-2


As sucessivas declarações de integrantes do governo sobre alternativas em estudo para impedir a supervalorização do real e também conter o aumento da inflação após o grau de investimento trouxeram incertezas e ampliaram as especulações no mercado financeiro.


Ontem, o mercado mais uma vez foi influenciado por boatos e pelas declarações dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Miguel Jorge. O contrato de juros futuros para 2010 na Bolsa de Mercadorias e Futuros, que estava em 14,07% ao ano na quarta-feira, chegou a 14.25%, antes de fechar em 14,14%. A taxa de câmbio também oscilou fortemente ao longo do dia.


O ex-diretor do Banco Central e hoje economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Carlos Thadeu de Freitas avalia que o BC deve exigir dos bancos uma maior capitalização em relação ao volume de empréstimo. Segundo ele, a medida seria uma espécie de recolhimento compulsório e ajudaria a frear o aumento da demanda interna, que alavanca as importações e deteriora as contas externas.


Para o gerente de Política Monetária do Banco Itaú, Joel Bogdanski, a equipe econômica vê “fantasmas” na deterioração das contas externas e na taxa de câmbio. “Estão tentando tratar de um problema que não existe”, criticou, ressaltando que o regime de câmbio flutuante é capaz de fazer os ajustes necessários na taxa de câmbio.


Na opinião do diretor do Modal Asset Management, Alexandre Povóa, há incoerência do governo em querer um real desvalorizado e ao mesmo tempo equilíbrio nas contas externas. Segundo ele, há certa intranqüilidade do mercado com o que classificou de “confusão” do governo de entender a piora das contas externas, provocada pelo aumento das importações devido ao consumo interno.


A economista-chefe do Banco Real, Zeina Latif, avaliou que a falta de uma agenda de política econômica, focada na redução dos gastos públicos, tem feito com que o governo tenha tanta preocupações de curto prazo. “A agenda não é essa. Não entendo essa obsessão pelo câmbio. A agenda é fiscal e as agências (de classificação de risco) já vêm dando recado e chamando a atenção para as dificuldades”, enfatizou Latif.

  


 


 


 

Leia mais

Rolar para cima