Mercado estende tapete para “cinqüentões”

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Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-4


Em alguns setores os aposentados, por serem experientes, se tornam “queridinhos” das empresas. Um exército de 3,9 milhões de pessoas com mais de 50 anos de idade já trabalha nas maiores capitais brasileiras. É gente suficiente para ocupar todo o comércio destas regiões metropolitanas. Nos últimos cinco anos, pelo menos 1,2 milhão desses profissionais mais experientes entraram no mercado, num ritmo que supera em mais de duas vezes o da média.

Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-4


Em alguns setores os aposentados, por serem experientes, se tornam “queridinhos” das empresas. Um exército de 3,9 milhões de pessoas com mais de 50 anos de idade já trabalha nas maiores capitais brasileiras. É gente suficiente para ocupar todo o comércio destas regiões metropolitanas. Nos últimos cinco anos, pelo menos 1,2 milhão desses profissionais mais experientes entraram no mercado, num ritmo que supera em mais de duas vezes o da média.


A população ocupada nas metrópoles aumentou 20% desde 2002, enquanto as vagas para pessoas da faixa etária mais velha investigada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tiveram um crescimento de 50%.


Cada vez menos presentes no universo dos desempregados, são queridinhos das empresas. A taxa de desemprego deles, segundo o último dado do IBGE, de 2006, é de 3,9% da População Economicamente Ativa (PEA), enquanto a taxa média é de 9,5%. Entre pessoas com mais de 60 anos, a taxa cai para 2,7%.


O fenômeno da volta dos aposentados ao batente deixou de ser apenas uma conseqüência da busca por mais renda familiar. Agora são as empresas que tiram os velhinhos de casa, para suprir a mão-de-obra qualificada que não encontram nos mais jovens, como reitera o coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego, Cimar Pereira.


Há cinco anos, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) identificou que 15% da força de trabalho era formada por pessoas com mais de 50 anos. A última PME, referente a julho deste ano, mostra que os mais idosos já são 19% do mercado. “É um problema de qualificação.


Alguns pólos industriais sofrem o inverso do desemprego; precisam de profis-sionais especializados e não encontram, como é o caso do setor de petróleo, no Rio”. No estado fluminense, responsável por 85% da produção de petróleo, pessoas com mais de 50 anos dominam 23,4% do mercado de trabalho. A proporção de trabalhadores mais velhos é bem menor nas outras capitais. Em São Paulo, são 17,5% da força de trabalho.


A demanda por pessoas mais experientes fez o desemprego entre os mais velhos recuar. Cerca de 6,5% dos desempregados são pessoas com mais de 50 anos, o percentual é praticamente o mesmo desde 2005. No ano anterior, o percentual chegara a 7,1%.


De 2002 a 2006, período em que o IBGE investigou a evolução do mercado de trabalho entre as pessoas com mais de 50 anos, somente este grupo etário ampliou participação no total de empregados. O IBGE concluiu também que este grupo mais experiente ganha salários cerca de 36% maiores que a média da população.


O retorno ao serviço começou por causa da queda dos salários, que levou muitos aposentados a complementar o orçamento familiar. Em 2003, por causa desta procura, o desemprego entre os mais velhos subiu para 7%, bem mais que os 5,8% verificados em 2002. Cimar Azeredo lembra que a volta ou a permanência no mercado, muitas vezes, é provocada, ainda, pela necessidade. “O trabalhador retarda a aposentadoria, muitas vezes, porque a aposentadoria é muito menor do que o salário, junto com gratificações.”


Faixa etária mais suscetível a demissão


Apesar de contabilizar apenas empregos formais, estatísticas do Ministério do Trabalho sobre a indústria de transformação nacional confirmam, mesmo que de forma tímida, a tendência de aumento das vagas para pessoas acima dos 50 anos de idade nos últimos três anos. Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) também mostram uma melhora nos números para os mais experientes: no período de 12 meses encerrado em junho último, o desemprego para pessoas acima dos 40 anos teve uma queda de 15,2%, enquanto a média ficou em 11,3%.


A notícia, no entanto, representa um aquecimento do setor, que reflete no crescimento do emprego em todas as faixas etárias. Além disso, os dados são acompanhados de outra realidade bem diferente. Os trabalhadores com mais de 50 anos estão entre os mais suscetíveis à demissão. Essa faixa etária é a única que registra um número maior de demitidos em detrimento das contratações.


O levantamento inclui apenas o período de janeiro a julho de 2004 a 2007. Segundo o ministério, durante os sete primeiros meses deste ano foram contratados 66,1 mil pessoas com mais de 50 anos, o que representa 3,43% do total de vagas criadas no período. Entre janeiro e julho do ano passado, a classe respondeu por 57,7 mil, ou 3,45%, dos 1.624,3 mil postos de trabalho criados no período.


Por outro lado, das 328,5 mil pessoas que perderam o emprego neste ano, na mesma base de comparação, 75,9 mil já passaram dos 50. Apesar das baixas, os números podem ser considerados positivos, já que a participação deste grupo no total de demitidos passou de 4,97% em 2006 para 4,9% em 2007. Há também outro fator a considerar: muitos que são demitidos podem ser readmitidos como consultores (pessoa jurídica).


 

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