Ipea defende medidas para aumentar número de empresas exportadoras

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O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, defendeu, em audiência pública na Câmara, realizada ontem (12/5), a criação de políticas públicas que elevem o número de exportadores no Brasil. Ele também destacou a importância do comércio internacional de bens industrializados e das transações com países não-industrializados.


Segundo Pochmann, o Brasil atingiu recentemente o seu maior grau de abertura comercial.

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, defendeu, em audiência pública na Câmara, realizada ontem (12/5), a criação de políticas públicas que elevem o número de exportadores no Brasil. Ele também destacou a importância do comércio internacional de bens industrializados e das transações com países não-industrializados.


Segundo Pochmann, o Brasil atingiu recentemente o seu maior grau de abertura comercial. Hoje, de acordo com o presidente do Ipea, quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) resultam de exportações e importações; porém, apenas 1% das empresas brasileiras exporta. A atuação no segmento, segundo ele, restringe-se às grandes empresas.


Pochmann participou de debate na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional nesta quarta-feira. A audiência pública foi proposta pelo presidente da comissão, deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP), para discutir os dados divulgados pelo livro “Brasil: O Estado de Uma Nação”, publicado pelo Ipea.


Pequenas e médias empresas

O presidente do Ipea afirmou que a quantidade de exportadores no País poderia ser ampliada pela participação de pequenas e médias empresas no segmento, com benefícios para o mercado de trabalho. “Estudos do Ipea demonstram que as empresas exportadoras pagam salários melhores e contratam profissionais com maior nível de escolaridade”, explicou.


Incentivos às exportações

Para incentivar as empresas exportadoras, Pochmann avaliou que seriam necessárias modificações no crédito e no câmbio. Ele criticou a concentração bancária no País, que dificulta o financiamento produtivo, e a valorização cambial, que afeta a decisão de exportar.


Pochmann também destacou algumas das medidas do pacote de incentivos aos exportadores anunciado pelo governo na última quarta-feira (5). A estratégia inclui a criação de uma subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESO Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social é uma empresa pública federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O banco financia principalmente grandes empreendimentos industriais e de infra-estrutura, mas também investe nas áreas de agricultura, comércio, serviço, micro, pequenas e médias empresas, educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e ambiental e transporte coletivo de massa.) para financiar as exportações, além de benefícios tributários para estimular a entrada de pequenas e médias empresas no segmento e a criação de uma nova empresa de seguros.


Maior valor agregado

O presidente do Ipea disse ainda que não há problema no fato de o Brasil exportar produtos primários. Mas, segundo ele, é necessária mais atenção com a formação de cadeias produtivas de bens industrializados. “O Brasil ainda exporta café in natura, mas há países que vendem café industrializado sem ter um pé dessa planta.”


Ele considerou correta a diretriz do governo desde 2003 de buscar novos mercados entre os países em desenvolvimento. “Vender produtos de maior valor agregado para países industrializados é mais difícil”. “A situação piora nas crises”, disse, ao lembrar que o México, que destina 85% das exportações aos EUA, foi seriamente afetado pela crise financeira mundial que começou em 2008.


Pochmann também afirmou ser necessário estudar medidas protecionistas para o País. “A China quer ter 150 das 500 maiores empresas transnacionais do mundo. O Brasil também deve pensar o seu projeto de país”, disse.

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