IOF em financiamento longo é 8,3 vezes maior que CPMF

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O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-1


O brasileiro que assumir financiamentos de longo prazo pagará quase dez vezes mais de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) do que pagava de CPMF após o governo ter elevado a alíquota para compensar a perda da arrecadação com o imposto do cheque.


 Veja o detalhamento das medidas


Pela simulação feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), num veículo cujo preço à vista é de R$ 25 mil, financiado em 5 anos, com juros de 2% ao mês e tributado pel

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-1


O brasileiro que assumir financiamentos de longo prazo pagará quase dez vezes mais de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) do que pagava de CPMF após o governo ter elevado a alíquota para compensar a perda da arrecadação com o imposto do cheque.


 Veja o detalhamento das medidas


Pela simulação feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), num veículo cujo preço à vista é de R$ 25 mil, financiado em 5 anos, com juros de 2% ao mês e tributado pela nova alíquota de IOF, de 3% ao ano, o valor pago no final passa de R$ 44.415,00 para R$ 45.802,80, uma diferença de R$ 1.387,80.


Sem CPMF e com IOF antigo, de 1,5% ao ano, o comprador desse automóvel economizaria R$ 168,60 ao fim de 5 anos. Agora, ele terá de desembolsar 8,3 vezes o equivalente à economia que teria com a CPMF para adquirir o mesmo carro por causa do aumento do IOF.


Num televisor de 26 polegadas, financiado em dois anos, cujo preço à vista é de R$ 1.500, a economia com o fim da CPMF seria de R$ 11,04, com IOF de 1,5%. E o desembolso adicional por conta da nova alíquota de IOF será de R$ 34,56.


“O impacto maior será no bolso de quem optar pelos prazos mais longos de financiamento”, afirma o vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, que fez os cálculos.


Como nos últimos tempos o diferencial do crédito tem sido o prazo longo dos financiamentos e não a taxa de juros, a decisão do governo prejudica especialmente os consumidores de menor renda, que fazem empréstimos a perder de vista


Para Oliveira, o consumidor individualmente será o mais prejudicado com a mudança. Ele pondera que, do ponto de vista macroeconômico, o reflexo da maior tributação no crédito será irrisório.


José Arthur Assunção, vice-presidente da Acrefi, que reúne as financeiras, considera desprezível o reflexo do aumento do IOF no consumo. “O consumo continuará estimulado pela alta do emprego e da renda.”


O executivo da Anefac avalia que o crédito poderá ficar mais caro. Ele acredita que os bancos vão repassar para os financiamentos a alta da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de 9% para 15%.


O presidente do Banco Santander, Gabriel Jaramillo, considera a decisão do governo danosa. Para ele, a expansão e o barateamento do crédito têm sido a locomotiva do País.


Divergência


Apesar do desembolso maior – no caso de um carro de R$ 34,5 mil o acréscimo será de R$ 1.150 -, a possibilidade de diluir o valor em prestações deve reduzir o impacto nas vendas das montadoras, que em 2007 chegaram 2,46 milhões de unidades, das quais 70% financiadas.


Com o novo IOF, a prestação desse veículo, de R$ 750, em 46 vezes, sobe R$ 25, calcula o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Sergio Reze. “Não é isso que fará o cliente desistir”, diz. “Caso se sinta prejudicado no valor da prestação, ele poderá ampliar o prazo.”


Vittorio Rossi Junior, da revenda Primo Rossi, discorda. “O aumento do IOF vai se refletir nos negócios”, diz. Segundo ele, em dezembro já ocorreram reajustes nos juros, após o Conselho Monetário Nacional (CMN) proibir a cobrança da Tarifa de Liquidação Antecipada (TLA). Alguns bancos elevaram a taxa entre 10% e 30% e outros prometeram aumentá-la nos próximos dias.


 

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