Folha de São Paulo Editoria: Dinheiro Página: B-3
A produção industrial registrou queda de 0,4% em julho ante junho e interrompeu uma trajetória de nove meses seguidos de crescimento. O resultado surpreendeu analistas ouvidos pela Folha, que previam um crescimento da ordem de 0,6% a 0,8%.
Folha de São Paulo Editoria: Dinheiro Página: B-3
A produção industrial registrou queda de 0,4% em julho ante junho e interrompeu uma trajetória de nove meses seguidos de crescimento. O resultado surpreendeu analistas ouvidos pela Folha, que previam um crescimento da ordem de 0,6% a 0,8%. Nos primeiros sete meses do ano, a indústria acumula alta de 5,1%.
Para o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), trata-se de uma “acomodação” do setor, e analistas mantêm as previsões de crescimento da ordem de 5% para este ano.
“É normal ter uma queda após meses de crescimento”, afirmou Solange Srour, economista-chefe da Mellon Global Investments. Srour destacou a queda da produção de bens de capital (máquinas e equipamentos), de -1,3%, e dos bens de consumo não-duráveis (alimentos e roupas), de -3,3%. Já os bens intermediários (insumos) recuaram 0,2%.
“Os resultados devem ser interpretados antes como um freio parcial do processo de evolução industrial em curso do que como um retrocesso da indústria brasileira, que vinha experimentando crescimento ininterrupto”, afirma boletim do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
As principais quedas em julho na comparação com junho ocorreram nos setores de alimentos (-2,5%), refino de petróleo e produção de álcool (-3,5%) e máquinas e equipamentos (-2,7%).
Para Silvio Sales, coordenador de Indústria do IBGE, a queda foi concentrada em produtos de forte oscilação na produção, e não existem problemas de demanda.
Para especialistas, o fim da safra foi o fator responsável pela queda na produção de açúcar e álcool em julho. Além disso, o refino de petróleo foi afetado por paralisações técnicas.
“Parada técnica”
Na avaliação de Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o resultado de julho mostra uma “parada técnica” da indústria, que, segundo ele, deve voltar a se aquecer em agosto com a preparação para a entrega de pedidos do comércio varejista no fim do ano. “Os resultados mostram que a indústria continua em expansão, não a taxas robustas, mas com a experiência de quem viveu anos de baixo crescimento.”
Segundo Marcela Prada, da consultoria Tendências, não existem sinais de reversão da tendência de alta. “Projetamos um cenário positivo, com crescimento de 5% neste ano”, afirmou. O cenário estimado por especialistas é baseado na alta da demanda doméstica e dos investimentos.
A única categoria que se manteve em expansão em julho foi a dos bens de consumo duráveis (veículos e móveis), com alta de 0,8%, impulsionada pela produção de automóveis. Para Douglas Uemura, da LCA Consultores, categorias como bens de capital e duráveis devem liderar a expansão da indústria neste ano. “Esperamos que ocorra ainda alguma acomodação na produção de alimentos. Com preços em alta, isso afeta o consumo e a produção”, disse.
Em relação a julho do ano passado, houve crescimento de 6,8% na produção. Segundo Sales, isso reflete o aumento do crédito e a ampliação de prazos, além do ânimo das empresas para realizar novos investimentos. Os bens de capital tiveram alta de 19% na comparação com julho de 2006, e os bens duráveis, de 15,1%.