Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-4
Após seis meses de alta, a produção industrial brasileira contrariou as expectativas do mercado e caiu em abril frente a março, mas o desempenho do setor de bens de capital no ano traz alento, segundo analistas. A queda da produção industrial foi de 0,1%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem. No ano, a produção industrial acumula alta de 4,3%. Nos últimos 12 meses, o avanço é de 3,3%.
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Após seis meses de alta, a produção industrial brasileira contrariou as expectativas do mercado e caiu em abril frente a março, mas o desempenho do setor de bens de capital no ano traz alento, segundo analistas. A queda da produção industrial foi de 0,1%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem. No ano, a produção industrial acumula alta de 4,3%. Nos últimos 12 meses, o avanço é de 3,3%.
Segundo o IBGE, a queda mensal reflete equilíbrio no ritmo de produção dos 23 setores analisados: 12 registraram expansão e 11 caíram. Frente a abril de 2006, a produção cresceu 6%. Os setores com pior desempenho estão relacionados direta ou indiretamente à valorização do câmbio. O IBGE avalia que houve uma “acomodação” da indústria de março para abril, uma vez que a conjuntura econômica não sugere uma “inversão da tendência de crescimento gradual”.
Os setores que mais puxaram para baixo o resultado da indústria foram: alimentos e celulares e TV, devido à redução nas exportações ou à concorrência de importados. “Não sei se o câmbio é toda a explicação. Há uma discussão se o mercado interno tem força suficiente para sustentar o crescimento. É claro que, quando o câmbio puxa setores para baixo, isso influencia a indústria. Você tem um mercado interno apoiado no crédito, na massa salarial e na ocupação com mais qualificação. A discussão é se isso é suficiente”, afirmou Silvio Sales, coordenador da pesquisa no IBGE. Segundo ele, o dado positivo da indústria em 2007 é a expansão do setor de bens de capital de 15,4%.
Investimentos em alta
Sales frisou que o desempenho desse setor, em que pese o aumento das importações, sugere um novo ciclo de investimentos da economia. “Esse resultado de bens de capital deve repercutir no resultado de investimentos que virá no PIB do primeiro trimestre, uma vez que os bens de capital ganharam mais peso na nova metodologia”, acrescentou.
O economista Sergio Vale, da MB Associados, deu destaque para o mesmo tema. “De todos os números, o mais relevante é o comportamento de bens de capital que se sustenta a taxas bem elevadas desde o início do ano. Isso mostra que a taxa de investimento será muito forte”, disse Vale. Em abril, no entanto, houve queda de 1,2% ante março.