O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-4
A indústria iniciou o ano aquecida e acredita que manterá o ritmo ao longo do primeiro semestre. É o que indica a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O otimismo é explicado por dois fatores. Em primeiro lugar, vem o mercado interno, pois o consumo doméstico não foi afetado pela crise até o momento.
Outro fator é a data da pesquisa. As empresas responderam ao questionário antes da crise nas bolsas e do corte dos juros nos Estados Unidos.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-4
A indústria iniciou o ano aquecida e acredita que manterá o ritmo ao longo do primeiro semestre. É o que indica a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O otimismo é explicado por dois fatores. Em primeiro lugar, vem o mercado interno, pois o consumo doméstico não foi afetado pela crise até o momento.
Outro fator é a data da pesquisa. As empresas responderam ao questionário antes da crise nas bolsas e do corte dos juros nos Estados Unidos. “A agitação nas bolsas dificilmente influencia as decisões de consumo das famílias brasileiras”, disse o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
A sondagem ouviu 1.394 indústrias de pequeno, médio e grande portes entre os dias 2 e 22 de janeiro. A pesquisa colhe avaliações sobre o quarto trimestre de 2007 e as perspectivas para o primeiro de 2008.
As indústrias informam à CNI que, pela primeira vez em três anos, encerraram dezembro com um nível de estoques abaixo do esperado. “Quer dizer que elas venderam muito em 2007”, explicou Castelo Branco. Por isso, as fábricas iniciaram 2008 operando forte, quando o usual é que elas desacelerem neste período.
Influenciados por esse quadro, os empresários industriais previram que, nos próximos seis meses, deverão contratar mais funcionários e comprar mais matérias-primas. Eles estão pessimistas, porém, em relação às exportações, por causa do câmbio desfavorável.
Os resultados da sondagem para o quarto trimestre de 2007 mostram que o crescimento beneficiou praticamente todos os setores e empresas de todos os portes. De 27 setores pesquisados, 25 informaram que a produção teve desempenho positivo no período. As exceções são madeira e álcool.
A utilização da capacidade instalada atingiu 83% entre as empresas grandes, 80% entre as médias e 75% entre as pequenas. Segundo Castelo Branco, o uso da capacidade continua subindo entre as grandes, mas a um ritmo mais lento.
Questionadas sobre quais são os principais problemas enfrentados, as empresas apontaram a carga tributária. Em segundo lugar, a competição acirrada foi apontada pelas pequenas e médias e a taxa de câmbio pelas grandes. As taxas de juros elevadas aparecem em terceiro lugar. Em todos os segmentos, aumentou o número de empresas que apontaram a falta de trabalhadores qualificados como um de seus principais problemas.