Importação mantém efeitos positivos em 2008

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O Estado de São Paulo  Editoria: Economia   Página: B-9


As importações desempenharam um papel crucial no bom desempenho da economia brasileira em 2007 e a expectativa é que os efeitos benéficos prossigam este ano. Aumento de produtividade na indústria, controle de preços e crescimento das vendas do varejo são alguns dos fatores citados por economistas como ganhos obtidos com o aumento das importações.

O Estado de São Paulo  Editoria: Economia   Página: B-9


As importações desempenharam um papel crucial no bom desempenho da economia brasileira em 2007 e a expectativa é que os efeitos benéficos prossigam este ano. Aumento de produtividade na indústria, controle de preços e crescimento das vendas do varejo são alguns dos fatores citados por economistas como ganhos obtidos com o aumento das importações.


O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, destacou as influências benéficas dos importados sobre a inflação e a ampliação de capacidade produtiva das empresas. Esses são também os principais efeitos positivos citados pelo chefe do Departamento de Economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, e pelo consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de Política Econômica, Júlio Sérgio Gomes de Almeida.


Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as importações cresceram 32% em valores no ano passado ante 2006. No período, o avanço dos bens de capital foi de 32,4%, com conseqüências positivas sobre os investimentos, e dos bens de consumo, de 32,2%, com efeitos favoráveis sobre a inflação e as vendas do varejo.


Gomes de Almeida explicou que, quanto mais a economia está voltada para o mercado doméstico, mais sobressaem os efeitos positivos das importações. A demanda interna foi o principal motor do crescimento econômico do ano passado. Segundo ele, a indústria cresceu 6% de janeiro a novembro, enquanto a demanda por produtos industriais aumentou acima de 9%. A fatia de demanda não atendida pela indústria doméstica foi coberta pelas importações.


Freitas disse que a participação dos produtos importados no Produto Interno Bruto (PIB) do País chegou a 11% no ano passado e deverá evoluir para 12% em 2008, podendo chegar a algo em torno de 15% em 2009. Segundo ele, as importações atualmente são “fundamentais para a estabilidade de preços”.


Ele lembra que, não fossem o câmbio e a contribuição de bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos) e produtos alimentícios importados, a inflação do ano passado teria sido mais alta. E destaca o aumento da produtividade na economia em conseqüência da importação de máquinas.


Os efeitos das importações deverão ser ainda mais fortes em 2008. Somente nas duas primeiras semanas do ano, as compras externas aumentaram 40,8% na média diária. As projeções da AEB apontam para um crescimento acumulado de 15% nas importações este ano ante 2007, com destaque para bens de capital (14,9%) e bens de consumo duráveis (25,2%).


Outro lado


Apesar dos efeitos favoráveis das importações, os economistas alertam para alguns efeitos colaterais. Segundo Castro, da AEB, o principal sinal de alerta está no resultado da balança comercial: o superávit poderá ficar comprometido caso ocorra alguma reversão nas cotações elevadas das commodities. Já Gomes de Almeida lamenta que as importações também levem a uma substituição de produtos no País que poderiam estar sendo abastecidos pela indústria local.


 


 




 


 

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