IGP-10 tem o maior aumento em 13 anos

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Jornal do Commercio  Editoria: Economia    Página: A-4


A disparada nos preços dos produtos industriais no atacado puxou para cima a inflação deste mês, medida pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), que subiu 1,52% A alta foi a mais intensa em 13 anos para um mês de maio , mais que o triplo da taxa de abril (0,45%), além de ser a maior elevação do ano.

Jornal do Commercio  Editoria: Economia    Página: A-4


A disparada nos preços dos produtos industriais no atacado puxou para cima a inflação deste mês, medida pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), que subiu 1,52% A alta foi a mais intensa em 13 anos para um mês de maio , mais que o triplo da taxa de abril (0,45%), além de ser a maior elevação do ano. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o desempenho projeta más notícias para os resultados do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) e para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que também devem fechar maio com taxas próximas a 1,5%.


Porém, na análise do coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, a taxa elevada foi “um pico” e não deve indicar trajetória sustentável a longo prazo de Índices Gerais de Preços (IGPs) acima de 1%. “Não podemos dizer que essas elevações de preços começarão a se espalhar por outros setores. Acho que (a taxa do IGP-10) é um pico, e a curva deve recuar, mas de modo gradativo”, afirmou o economista ontem, ao anunciar o índice.


Quadros admitiu que resultados tão elevados reforçam a idéia de que o Banco Central pode continuar a subir a taxa básica de juros (Selic). “Acho que os juros vão continuar a subir, porque esta é a forma de enfrentar pressões inflacionárias oriundas de várias fontes diferentes”, disse, explicando que no atacado as elevações de preços não estão mais concentradas no setor alimentos.


Para o cálculo da taxa, foi acompanhada a evolução de preços de 11 de abril a 10 de maio. Entre os três setores pesquisados para cálculo do índice, o atacado – o de maior peso no cálculo do IGP-10 – foi o que mais impactou a taxa de maio. A inflação do setor atacadista acelerou fortemente, de 0,35% para 1,91%, de abril para maio. Os preços dos produtos industriais subiram 2,01%, o dobro da taxa apurada em abril (1%) e a mais intensa elevação desde novembro de 2004.


Minério


Um dos maiores destaques foi minério de ferro, que saiu de uma queda de 0,81% para elevação de 15,51%, de abril para maio, influenciado pelos recentes reajustes promovidos pela Vale. Além disso, o setor industrial também sofreu impacto da aceleração do preço do óleo diesel (de 0,73% para 3,68%), causado pelo reajuste anunciado pela Petrobras, no início do mês.


Fora do âmbito do setor industrial, os preços dos produtos agrícolas também dispararam (de -1,31% para 1,64%). Um dos motivos foi o arroz em casca, cujo preço saltou de deflação de 1,25% em abril para aumento de 31,95% em maio, pressionado por demanda maior do que oferta. “Um terço da inflação do setor atacadista em maio foi originada da movimentação de preços do minério de ferro e arroz em casca”, acrescentou Quadros.


Para o analista da Tendências Gian Barbosa, o resultado mostrou um avanço importante da inflação apurada pelos IGPs. No varejo, os preços também aceleraram (de 0,61% para 0,67%), de abril para maio, mas em menor intensidade do que no atacado. Porém, o consumidor já sente uma elevação em seus gastos com alimentos, devido ao repasse de aumentos de custos originados no atacado. É o caso do pão francês, que permanece em alta (de 4,83% para 8,44% de abril para maio).


Segundo o economista da FGV, levará algum tempo ainda, até os efeitos da recente decisão do governo de promover medidas de desoneração do trigo – para ajudar a reduzir o preço do pão -, chegarem ao preço desse produto no varejo.


Na construção civil, os preços também aceleraram (de 0,73% para 0,85%), devido à forte demanda no setor, e aumentos nos preços de insumos específicos para a construção. Até maio, o IGP-10 acumula elevações de 4,47% no ano e de 10,71% em 12 meses.




 


 


 




 


 

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