O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-11
Favorecida pela queda dos preços dos alimentos no varejo (-0,39%), a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) perdeu força e subiu 0,61% em março, ante 0,80% em fevereiro – a menor taxa em oito meses. Mas o resultado surpreendeu o mercado financeiro, que esperava, no máximo, 0,55%. O que impediu uma desaceleração mais forte do IGP-10 foi o aumento de alguns produtos importantes, como commodities e minérios, no atacado.
O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-11
Favorecida pela queda dos preços dos alimentos no varejo (-0,39%), a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) perdeu força e subiu 0,61% em março, ante 0,80% em fevereiro – a menor taxa em oito meses. Mas o resultado surpreendeu o mercado financeiro, que esperava, no máximo, 0,55%. O que impediu uma desaceleração mais forte do IGP-10 foi o aumento de alguns produtos importantes, como commodities e minérios, no atacado. Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), se isso continuar, os próximos resultados do índice podem apresentar trajetória de aceleração.
A inflação do varejo, que representa 30% do total do IGP-10, caiu de 0,64% em fevereiro para 0,04% em março. O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, explicou que, embora os preços no atacado também tenham caído, de 0,90% para 0,83%, “o impacto da desaceleração do varejo foi quatro vezes maior”.
Os alimentos foram os produtos que mais contribuíram para os preços mais baratos, no varejo. Entre os destaques, estão as quedas em hortaliças e legumes (-1,93%) e frutas (-4,17%). As carnes bovinas intensificaram a deflação de fevereiro para março (de -0,11% para -2,42%). O produto conta com boa oferta tanto no atacado quanto no varejo.
Quadros recomendou atenção às evoluções futuras de preços no atacado de commodities agrícolas e matérias-primas brutas minerais. Segundo ele, praticamente todas as principais commodities agrícolas pesquisadas tiveram elevação de preços mais intensa de fevereiro para março, caso da soja (de 4,03% para 5%); café (de 2,31% para 5,50%); e trigo (de 3,50% para 8,16%). A continuidade das altas do trigo já afeta o pão francês, cujo aumento passou de 0,39% para 0,60%. Em 12 meses, a alta é de 8,71%. “É bem possível que continue subindo.”
A inflação das matérias-primas brutas minerais mais que dobrou (de 1,47% para 3,58%), com destaque para minério de ferro (de 2,40% para 5,15%); minério de cobre (de 12,93% para 15,12%); carvão mineral (de 3,32% para 4,15%); e areias (de 2,19% para 3,26%).
Esse cenário começa a impactar a inflação da construção civil, o único segmento, entre os três pesquisados pela FGV para cálculo do IGP-10, a apresentar aceleração de preços de fevereiro para março (de 0,44% para 0,49%).