Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-3
O emprego formal registrou aumento recorde em agosto, mês em que a taxa de desemprego ficou estagnada em 9,5% nas seis principais regiões metropolitanas do País. O nível da taxa foi o mesmo apurado em julho, mas inferior a agosto do ano passado (10,6%). O rendimento médio real dos trabalhadores teve queda de 0,5% na comparação com o mês anterior, afetado pelo aumento da inflação.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-3
O emprego formal registrou aumento recorde em agosto, mês em que a taxa de desemprego ficou estagnada em 9,5% nas seis principais regiões metropolitanas do País. O nível da taxa foi o mesmo apurado em julho, mas inferior a agosto do ano passado (10,6%). O rendimento médio real dos trabalhadores teve queda de 0,5% na comparação com o mês anterior, afetado pelo aumento da inflação.
Para o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, os resultados do mercado de trabalho em agosto são “muito positivos”, embora a taxa de desemprego tenha ficado inalterada em relação a julho. O argumento é que os postos gerados foram de maior qualidade, com aumento do emprego formal.
O aumento de 2,5% da ocupação com carteira assinada foi o maior apurado pelo IBGE na comparação com mês anterior desde o início da nova série da pesquisa, em março de 2002. Todas as 217 mil vagas criadas em agosto, em relação a julho, foram formais (com carteira de trabalho assinada), segundo Azeredo.
Houve acréscimo significativo no número de empregados com carteira também na comparação com agosto do ano passado (7%, ou 590 mil vagas formais em relação às existentes em agosto de 2006), que só encontrou similar, na série, em maio de 2005 (7,1%).
Para Azeredo, esse fenômeno do aumento da formalidade no mercado de trabalho reflete “o cenário econômico, o aumento da fiscalização e o crescimento do nível de escolaridade”. Mas o número de vagas formais, nas seis regiões, ainda é menos da metade (42,9%) dos ocupados. “O déficit de formalização no País ainda é muito grande”, ressaltou o gerente.
Taxa
No que diz respeito à estagnação na taxa de desemprego, Azeredo explicou que o aumento do número de desocupados ocorreu seguindo uma tendência da série histórica da pesquisa, que mostra que no início do segundo semestre as pessoas voltam a procurar emprego, após as férias de julho. Como o cálculo da taxa é feito com a divisão do número de ocupados pela População Economicamente Ativa, o aumento do numerador eleva o resultado.
Azeredo disse que a maior parte dos desocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País são jovens e mulheres, que costumam dar uma pausa na procura por trabalho em julho. “Embora a taxa não tenha caído em relação a julho e a pressão sobre o mercado tenha crescido com o aumento dos desocupados, a ocupação está aumentando, com empregos de qualidade, o que é muito positivo”, disse.
Segundo o gerente da pesquisa, a pressão dos desocupados sobre o mercado não é negativa, “pois mostra que o desempenho da economia está atraindo as pessoas” para a busca de uma vaga. A pesquisa mostra um aumento de 1,9% na desocupação em agosto ante julho, com mais 41 mil pessoas em busca de uma vaga.
Renda
A queda de 0,5% na renda média real dos ocupados em agosto, o terceiro recuo consecutivo ante mês anterior, reflete o aumento da inflação. O rendimento calculado na pesquisa é deflacionado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação da camada de renda mais baixa da população, na média das seis regiões. Com a pressão dos preços dos alimentos, o INPC tem registrado aumentos superiores ao IPCA. Na comparação com agosto do ano passado, o resultado da renda média foi positivo (1,2%), mas foi o pior resultado desde junho de 2005.
Para Edgard Pereira, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), esse pequeno crescimento na renda foi o pior resultado em um quadro de dados que “não foram satisfatórios”. Ele avalia que “é notória a progressiva desaceleração do aumento real do rendimento nos últimos quatro meses”, o que leva a uma perda de ritmo na evolução do mercado consumidor interno.
Maior avanço no rendimento de informais
O rendimento médio do trabalhador sem carteira assinada no País está crescendo a uma taxa quase sete vezes superior ao avanço da renda dos empregados com carteira assinada. Na média, o aumento do rendimento dos trabalhadores informais foi de 10,4% de janeiro a julho deste ano, ante um avanço mais modesto, de 1,7%, dos com carteira. Em paralelo, o crescimento da renda de todas as categorias vem desacelerando ao longo do ano.
Os dados fazem parte do Boletim de Conjuntura publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o boletim, a renda média do trabalho cresceu 4,2% nos primeiro sete meses deste ano, na comparação com o igual período do ano anterior. Este crescimento vem, contudo, desacelerando, segundo a publicação, já que no primeiro trimestre o avanço foi de 5% e no segundo trimestre um pouco mais fraco, de 3,9%.
“Uma explicação para tal movimento de perda de fôlego está ligada, por um lado, à aceleração da inflação ao longo dos últimos meses e, por outro lado, ao próprio dinamismo do mercado de trabalho, em que a taxa de ocupação é puxada pelo crescimento do emprego com registro”, registra o boletim.
No setor privado, o maior crescimento da renda é dentre os trabalhadores informais. No ano passado, já havia acontecido isso: os trabalhadores com carteira tiveram rendimentos 3,5% superiores em média no ano, ante os 6,4% dos sem carteira. Este ano, a diferença foi maior. Isoladamente, a renda no setor público cresce 11,6% este ano e por conta própria, 8,3%.
Prestação de serviços
A economista do Ipea Maria Andréia Parente explica que o crescimento do consumo das famílias, verificado nos resultados semestrais do Produto Interno Bruto (PIB), estimula a demanda por prestação de serviços, por exemplo, segmento em que trabalha grande parte dos informais. Num ambiente de economia mais aquecida, eles conseguem recompor margens e ajustar mais seus preços.
Além disso, o menor crescimento da renda do setor formal reflete uma mudança de composição da população ocupada neste segmento. Tradicionalmente, em momentos de forte contratação de emprego formal, como vem ocorrendo atualmente, os salários pagos nas novas vagas tendem a ser inferiores aos de trabalhadores de funções semelhantes que têm mais experiência e tempo de casa.
Na prática, entram, também, no bolo do trabalho formal novos empregados, que eram informais e chegam com base salarial inferior. Em julho, enquanto o salário médio dos trabalhadores formais era de R$ 1.095,20, o rendimento médio dos informais estava em R$ 743,70.