Governo revoga MPs para votar a CPMF

Compartilhe:

Folha de São Paulo  Editoria: Brasil  Página: A-6


Com a revogação de duas medidas provisórias, o governo Lula iniciou uma estratégia para tentar colocar em votação hoje na Câmara dos Deputados a prorrogação da CPMF por mais quatro anos, enquanto prepara um acordo com a oposição no Senado que pode reduzir gradualmente a alíquota da contribuição provisória.


A idéia, segundo a Folha apurou, é fazer o acordo usando uma brecha no texto da proposta de emenda constitucional, que permite a queda da alíquota de 0,38% por meio de lei ou medida provisória.

Folha de São Paulo  Editoria: Brasil  Página: A-6


Com a revogação de duas medidas provisórias, o governo Lula iniciou uma estratégia para tentar colocar em votação hoje na Câmara dos Deputados a prorrogação da CPMF por mais quatro anos, enquanto prepara um acordo com a oposição no Senado que pode reduzir gradualmente a alíquota da contribuição provisória.


A idéia, segundo a Folha apurou, é fazer o acordo usando uma brecha no texto da proposta de emenda constitucional, que permite a queda da alíquota de 0,38% por meio de lei ou medida provisória.


Ou seja, a emenda seria aprovada no Senado, onde o governo não tem maioria segura, mediante a promessa à oposição de uma lei posterior reduzir a alíquota.


A vantagem é que o texto da Câmara não seria modificado pelos senadores e não precisaria retornar à apreciação dos deputados. Líderes governistas acreditam que o PSDB pode aceitar a idéia.


Ontem, uma manobra heterodoxa, embora não inédita, ajudou a acelerar o processo. O governo revogou duas das quatro medidas provisórias que, editadas há mais de 45 dias, tinham preferência obrigatória na pauta de votações da Câmara dos Deputados.


A artimanha dá uma idéia dos temores do Planalto com o atraso na aprovação da emenda constitucional que estende a cobrança da CPMF até 2011, pois as duas MPs revogadas não poderão mais ser reeditadas neste ano.


Uma modificava o Estatuto do Desarmamento, e outra, que vai virar projeto de lei, criava um regime tributário para formalizar sacoleiros que atuam no Paraguai.


Outra MP, que dá benefícios tributários e creditícios para os setores calçadista, têxtil e moveleiro, só não teve o mesmo destino por interferência direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva -cujo vice, José Alencar, é empresário do setor têxtil. A medida foi anunciada com destaque em junho como compensação aos setores mais prejudicados pela valorização do real em relação ao dólar.


Também ficou garantida, por motivos óbvios, a Medida Provisória que autorizou novas despesas de mais de R$ 6 bilhões no Orçamento deste ano, basicamente para as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).


Às 23h foi aprovado o texto base da MP sobre o PAC, mas até às 0h40 a aprovação final dela não tinha sido concluída. Por esse motivo, a MP do setor calçadista passou a correr o risco de também ser revogada hoje, para não comprometer a votação da CPMF. Para aprovar uma emenda constitucional, são necessárias votações em dois turnos na Câmara e no Senado, com aprovação mínima de três quintos das duas Casas. O governo precisa aprovar o texto até o final do ano -do contrário, a CPMF será extinta e, mesmo se recriada, só poderá voltar a ser cobrada 90 dias depois, com perda de arrecadação na casa dos R 10 bilhões, no mínimo.


Acordo


Apesar da pressa, não avançaram ainda as negociações no Senado, onde governo e oposição se enfrentam pela permanência ou não do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).


No cenário ideal para o Palácio do Planalto, o acordo com os senadores não envolveria a CPMF, mas a redução de algum outro tributo, como a contribuição previdenciária patronal.


“Se a decisão for pela CPMF, poderemos até acatar, mas só depois de aprovada na Câmara e no Senado”, disse o ministro Guido Mantega (Fazenda).


“Depois de aprovada, existe na própria emenda autorização para que a gente faça uma lei ordinária que possa reduzir a alíquota. Mas isso vamos discutir num segundo momento”, complementou.


Uma redução gradual da alíquota, que hoje é de 0,38% em cada movimentação, não seria um grande estorvo para as contas do governo. Em valores atuais, uma queda de 0,02 ponto percentual resultaria em uma perda próxima dos R 2 bilhões anuais, para um Orçamento total de mais de R 600 bilhões.


 


 


 

Leia mais

Rolar para cima