Copa do Mundo, Olimpíadas, investimentos em infraestrutura, programas para a emissão de vistos a estrangeiros. As principais questões do turismo brasileiro estiveram no centro dos debates do Fórum Panrotas – Tendências do Turismo, que, em sua 8ª edição, começou dia 15 de março, no Centro de Eventos Fecomércio, em São Paulo.
Copa do Mundo, Olimpíadas, investimentos em infraestrutura, programas para a emissão de vistos a estrangeiros. As principais questões do turismo brasileiro estiveram no centro dos debates do Fórum Panrotas – Tendências do Turismo, que, em sua 8ª edição, começou dia 15 de março, no Centro de Eventos Fecomércio, em São Paulo. O evento, que reúne as principais lideranças do turismo nacional, contou com a participação do ministro do Turismo, Luiz Barretto, e de representantes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
“O turismo deixou de ser uma atividade de lazer para se tornar um importante segmento da economia. Mas temos muito a enfrentar ainda. Falta compreensão para com a atividade turística”, afirmou, na abertura do evento, o presidente do Grupo Panrotas, Guillermo Alcorta, citando a burocracia para a obtenção dos vistos para estrangeiros como um dos entraves para o desenvolvimento do turismo. O empresário mostrou-se preocupado com os investimentos em infraestrutura, principalmente para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Em seguida, o ministro do Turismo, Luiz Barretto, falou sobre o desenvolvimento sustentável do turismo nacional, enaltecendo as parcerias estabelecidas com entidades do setor, que possibilitaram ao mercado índices de crescimento acima da média da economia nacional. “O Turismo no Brasil crescerá cerca de 6% em 2010”, acrescentou. “Na ponta, a atividade é feita pela iniciativa privada e pelas prefeituras dos Estados. Nosso trabalho é dar condições para que o setor tenha cada vez menos barreiras para enfrentar”, considerou ele, revelando que a pasta investiu, desde 2003, mais de R$ 6 bilhões apenas em infraestrutura turística. “O turismo está se fortalecendo a cada ano. Para se ter uma ideia, quando o ministério do turismo foi criado, nosso orçamento era de R$ 400 mil. Hoje, administramos uma verba de mais de R$ 4 bilhões. Isso mostra a sensibilidade do governo para com a indústria”, concluiu.
O ministro participou, também, de um debate com alguns líderes do turismo nacional, como o vice-presidente da Abav, Juarez Cintra, e os presidentes da Abremar, Ricardo Amaral, do Fohb, Rafael Guaspari, do Conselho Consultivo do Snea, José Mario Caprioli, e da Federação dos Convention and Visitors Bureaux, João Luiz Moreira. Na conversa, Barretto tranqüilizou o grupo com relação a uma das maiores preocupações do setor para a Copa do Mundo: os 16 aeroportos das 12 cidades-sede brasileiras: “A Copa romperá a maldita herança do famoso ‘jeitinho brasileiro’”, afirmou, garantindo que o fato da data ser intransferível forçará o País e se adaptar para receber bem as seleções de futebol. Para ele, que acredita que o Brasil receberá cerca 8 milhões de turistas internacionais por ano em 2014, a saída para resolver os problemas imediatos de infraestrutura aeroportuária são intervenções na gestão logística dos equipamentos.
Integração e flexibilidade
O segundo painel do Fórum reuniu os presidentes das comissões de Turismo do Senado, Neuto de Conto, e da Câmara dos Deputados, Raquel Teixeira, além do consultor da Presidência da CNC Bernardo Cabral, e dos presidentes da Abav Nacional, Carlos Alberto Amorim Ferreira, da Abremar, Ricardo Amaral, e do Fohb, Rafael Guaspari, como debatedores. Sob a mediação do diretor do Ministério da Cultura, Eduardo Ballarin, o grupo discutiu os planos e o impacto no mercado das atividades da Comissão de Desenvolvimento Regional e da Comissão de Turismo e Desporto.
Bernardo Cabral afirmou que é necessária uma integração maior entre os poderes Executivo e Legislativo para atender às necessidades do turismo. Para isso, segundo ele, é essencial que o empresariado do setor incentive essa sinergia. “É no Congresso Nacional, que tem as postas abertas, onde os problemas e soluções do setor devem ser pensados”, afirmou. Para a deputada Raquel Teixeira, as decisões do parlamento de pautar um projeto para votação muitas vezes é tomada a partir da importância que ele tem para a sociedade. “Por isso a importância de pressionar os parlamentares de suas cidades a incluírem os projetos de interesse na pauta da votação. A Câmara e o Senado são sensíveis à pressão da sociedade”, disse.
O consultor da CNC destacou a emissão de vistos como ponto importante para o desenvolvimento da atividade turística. De acordo com o ex-senador e ex-ministro, 26 países no mundo, na maioria europeus, têm isenção de visto para entrada nos Estados Unidos. “Por que o Brasil não pode integrar este grupo?”, perguntou. Bernardo Cabral, que acompanhou debates sobre o assunto no Conselho de Turismo (CTur) da CNC, acredita que iniciativa privada e governo podem buscar soluções por meio da formalização de acordos bilaterais, além da flexibilização das normas, sem prejuízo ao Princípio da Reciprocidade.
A diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Solange Vieira, abordou as estratégias da autarquia para incentivar o crescimento da aviação brasileira. Segundo ela, o processo de limitação de slots que hoje é realizado nos aeroportos de Guarulhos e Congonhas será aplicado em outros aeroportos brasileiros. A executiva não estabeleceu prazos para ação, mas adiantou que a principal mudança será na carga horária de funcionamento dos terminais no País.
O vice-presidente Administrativo da CNC, Antonio Airton Oliveira Dias, o presidente e o vice-presidente do CTur da Confederação, Oswaldo Trigueiros Jr. e Eraldo Alves da Cruz, respectivamente, participaram do primeiro dia de trabalho do Fórum. O evento continua no dia 16 de março.