Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-5
O governo federal atingiu uma cifra inédita na arrecadação de tributos no ano passado.
O montante atingiu R$ 615 bilhões, superando em 11,09% até então o recorde de R$ 553,668 bilhões obtido em 2006, segundo os dados divulgados ontem pela Receita Federal.
Os números levam em conta cálculos baseados na correção pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-5
O governo federal atingiu uma cifra inédita na arrecadação de tributos no ano passado.
O montante atingiu R$ 615 bilhões, superando em 11,09% até então o recorde de R$ 553,668 bilhões obtido em 2006, segundo os dados divulgados ontem pela Receita Federal.
Os números levam em conta cálculos baseados na correção pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A arrecadação cresceu em 2007 mesmo excluindo a participação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), cuja arrecadação somou R$ 37,234 bilhões, ante R$ 33,8 bilhões do ano anterior. Ou seja, se excluído o chamado imposto do cheque já em 2007, o Fisco teria arrecado ainda R$ 24,166 bilhões a mais no ano anterior.
Apenas em dezembro, o Fisco arrecadou 65,632 bilhões, um aumento de 11,59% em relação a igual período do ano passado e 24,3% sobre novembro.
O que motivou o crescimento “virtuoso” da arrecadação tributária no ano passado, segundo o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, foi o crescimento econômico, que permitiu maior lucratividade das empresas, e a melhor administração do Fisco no âmbito da arrecadação.
Um exemplo, disse, é o combate à sonegação fiscal e a inadimplência. Somente com juros e aplicação de multas de pagamentos de tributos atrasados, o Fisco arrecadou 30% a mais, o equivalente a R$ 13 bilhões.
“A arrecadação efetiva com esses fatores foi de R$ 20 bilhões, quando inclui também períodos anteriores”, explicou.
“Tivemos maior faturamento, maior lucratividade das empresas, crescimento da produção industrial, formalização (do mercado de trabalho) e aumento da massa salarial”, complementou o secretário Jorge Rachid, que destacou ainda a contribuição da abertura de capital de empresas no mercado de ações, com destaque para Bovespa, BM&F e Redecard, nos meses de agosto, novembro e dezembro.
Nesses meses, a Receita Federal teve uma receita adicional de R$ 5,247 bilhões ou 260% a mais, quando comparado a igual período de 2006, na arrecadação de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), Jurídica (IRPJ) e Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL).
O movimento de abertura de capital no ano passado foi mais intenso. No total, disse Rachid, foram 110 empresas, ante cerca de 15 unidades no ano anterior.
O secretário disse que não houve aumento de alíquotas em 2007 para os segmentos econômicos pagadores de imposto.
“Pelo contrário, houve alguma desoneração (de R$ 6 bilhões)” no ano passado”, disse. Segundo ele, de 2005 a 2007 o governo fez uma devolução de impostos (à economia) de R$ 36 bilhões”.
Para 20008, Rachid não quis fazer previsão sobre a arrecadação tributária diante do fim da CPMF. A estimativa do governo era arrecadar R$ 40 bilhões.
“Este ano há uma preocupação com o equilíbrio fiscal”, destacou. Ele diz não saber ainda se haverá espaço para novas desonerações tributárias, uma vez que o governo precisará fazer ajustes para compensar a perda da arrecadação com Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), diante dos compromissos assumidos, como os programas sociais e o PAC.
“Vamos trabalhar com a realidade em 2008, ou seja, com um tributo a menos, que é a CPMF”, disse ao comentar o resultado do ano passado.
Ele disse acreditar, entretanto, que a economia deve continuar aquecida e beneficiar novos aumentos de arrecadação este ano.
Para este ano, o governo já conta com R$ 10 bilhões a mais com os aumentos das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e CSLL, medida tomada para recompor parte do chamado imposto do cheque.
No ano passado, a Receita arrecadou R$ 7,9 bilhões somente com IOF, cifra que deve chegar a R$ 16 bilhões em 2008, segundo estimou Rachid.
A CSLL, que somou R$ 35,143 bilhões no ano passado, deve superar R$ 37 bilhões este ano, conforme estimativa do governo, que é arrecadar R$ 2 bilhões a mais com o tributo este ano devido ao aumento da alíquota de 9% para 15% anuais para o sistema financeiro.