Economistas do governo revelam que o medo da equipe econômica, se a turbulência financeira internacional permanecer, é uma desaceleração da economia mundial, o que inclui a China. E quando o assunto é a China, o temor é ainda maior pela falta de informações seguras sobre a economia daquele país. Apesar disso, a postura do governo é a de passar serenidade ao mercado. “Estamos tranqüilos, mas atentos. É cedo para saber se vai haver uma desaceleração global”, diz uma das fontes.
Economistas do governo revelam que o medo da equipe econômica, se a turbulência financeira internacional permanecer, é uma desaceleração da economia mundial, o que inclui a China. E quando o assunto é a China, o temor é ainda maior pela falta de informações seguras sobre a economia daquele país. Apesar disso, a postura do governo é a de passar serenidade ao mercado. “Estamos tranqüilos, mas atentos. É cedo para saber se vai haver uma desaceleração global”, diz uma das fontes. Estes também vêem aspectos positivos na turbulência, entre eles a valorização do dólar frente ao real e a redução dos juros americanos.
A equipe econômica também procura destacar que as condições do Brasil estão muito mais sólidas que no passado, mesmo se o pior dos cenários tornar-se realidade. “Há alguns anos, o país operava no limite, com água batendo no nariz. Agora, temos uma política econômica mais cuidadosa que suporta choques”, pondera um influente assessor. Exemplos são o saldo comercial – deve encerrar 2007 acima dos US$ 40 bilhões -, a evolução do perfil das dívidas interna e externa e o volume de reservas internacionais, perto dos US$ 160 bilhões.
Esses economistas do governo ainda enxergam como benéficas algumas possíveis conseqüências de um eventual agravamento da turbulência, decorrentes da desaceleração da economia americana. Os exemplos “benéficos” citados são a valorização do dólar frente ao real e a redução dos juros americanos.
Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, procurou, mais uma vez, tranqüilizar o mercado afirmando que a turbulência financeira internacional apresenta, neste momento, movimentos de curto prazo, sem que seja possível prever tendências. Mas admitiu que, em tese, poderá haver uma desaceleração da economia mundial com alteração no preço das commodities. Ele citou o caso de alguns metais que já tiveram queda em suas cotações.
Mantega também ponderou que no ano retrasado já houve uma desaceleração moderada da economia americana sem reflexo na economia mundial. Ele afirmou que o restante da economia mundial está com crescimento maior, o que é “compensatório”. Para Mantega, a turbulência não provocou uma contaminação geral que afetasse a solidez das empresas. “Não é todo mundo que está bichado. Nem todas as empresas estão em dificuldade. A crise está circunscrita no setor imobiliário”, comentou.
No final de julho, surgiram os primeiros sinais da turbulência internacional causada pela crise de inadimplência no mercado de crédito imobiliário de alto risco (subprime) nos EUA. Nessas três semanas, o dólar vem se valorizando, mas a atual cotação, próxima dos R$ 2,00, ainda não alcança a média de janeiro deste ano: R$ 2,13.
O governo sabe que muito dinheiro já deixou a bolsa na turbulência, mas acredita que isso não é uma fuga de capitais, mas mera acomodação de posições. Afinal de contas, com o câmbio encontrando um ponto mais equilibrado, as exportações ganham competitividade e a taxa básica de juros – a Selic está atualmente em 11,5% ao ano – continua sendo muito atrativa apesar da trajetória de redução. “Nem o subprime compete com a Selic”, ironiza um desses economistas.
A pressão inflacionária que uma valorização do dólar poderia provocar também não assusta a equipe econômica. Mesmo que a cotação da moeda americana vá para um patamar mais alto que o atual, essa pressão inflacionária seria apenas temporária. Ela duraria enquanto ocorrer a variação. A partir da estabilização em algum patamar, os preços se acomodam. Se o pior dos cenários tornar-se realidade – desaceleração global que arraste até mesmo a China -, esses economistas do governo admitem que os prejuízos não causariam estragos apenas no Brasil, mas no mundo inteiro sem exceção. “A China vai desacelerar? Eles estão enfrentando um processo inflacionário? Ninguém sabe. É uma caixa-preta”, disse uma das fontes.