Entrevista: Luiz Carlos Bohn, vice-presidente da CNC e presidente da Fecomércio-RS

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Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

Em 2015, os dados relativos ao mercado de trabalho já divulgados não apresentaram resultados positivos. Até junho, tanto no Brasil quanto especificamente no Rio Grande do Sul o comércio registrou destruição líquida de empregos formais. Além disso, tem-se uma taxa de desocupação crescente desde o início do ano. As perspectivas para o restante do ano também não são boas. De modo geral, a expectativa é de manutenção do quadro vivenciado até o momento, ou seja, uma geração de empregos muito baixa, com possibilidade de destruição líquida de empregos formais em 2015 no setor. Com as vendas baixas, é muito provável que os comerciantes atuem de forma mais cautelosa, mantendo estoques baixos.

Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

Atualmente, as perspectivas não são boas. Apesar da elevação significativa da taxa de juros, a inflação permanece elevada; e na esteira da contração monetária e do aperto fiscal, a atividade econômica continua fraca. Com o aumento do desemprego, a confiança dos consumidores permanece em baixa, e, portanto, a disponibilidade a comprar também. Ainda que as exportações ganhem competitividade com a desvalorização cambial e que com a recuperação americana abram-se novas possibilidades de vendas, a queda do preço das commodities cotadas em dólares neutraliza, em parte, esse ganho potencial. Em suma, 2015 marca um ano ruim para a economia brasileira, com reflexos significativos na dinâmica do setor, e deve representar o ano mais difícil da história recente. Nesse período, as empresas terão que apresentar um grande esforço de melhoria das práticas de gestão para se adequar a um ano em que custos aumentam e receitas são reduzidas.

Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até o final de 2015?

Não há solução mágica. É fundamental que o empresariado compreenda que, em um mercado que não cresce, há acirramento da concorrência, com tendência de ganho de market share por parte das empresas bem estruturadas, com lucratividade e liquidez. Por isso, o foco deve ser redobrado na manutenção de clientes, com entendimento e atendimento de necessidades e com diálogo constante, que envolva pré-venda, venda e pós-venda eficientes. Além disso, num cenário de crédito caro e de custos crescentes, aumenta a necessidade de se manter um fluxo de caixa equilibrado, um alto controle de estoques e a permanente vigilância com a eficiência de processos internos.

A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

Energia, pessoal e combustíveis (indiretamente) são itens que compõem parcela significativa da estrutura de custos das empresas. Em um contexto de aumento de preços desses itens, a margem de comercialização das empresas é reduzida, o que pode vir a provocar complicações no fluxo de caixa dos estabelecimentos. Por outro lado, esses aumentos de preços (energia e combustíveis) exercem influência negativa sobre a demanda, ao intensificar a perda de poder de compra da população por meio do processo inflacionário. Como as famílias têm dificuldade para reduzir o consumo desses produtos, o orçamento livre para a compra de outros bens fica muito restrito, e elas acabam por reduzir suas compras.

A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

A inflação faz parte de uma “liga de vilões”. Em 2015, o comércio tem sido afetado negativamente por uma série de variáveis: câmbio desvalorizado, desocupação crescente, confiança dos consumidores em queda, juros altos, crédito restrito… Além disso, a falta de perspectivas de que esse cenário se modifique no curto prazo e a intensa deterioração da cena política aumentam a incerteza, retraindo ainda mais o ímpeto de consumo das famílias.  Definitivamente, 2015 não vai deixar saudades.

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