Entrevista: José Lino Sepulcri, diretor da CNC e presidente da Fecomércio-ES

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Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

No Estado, os setores de serviços e comércio vêm sofrendo fortes quedas, provocadas por perdas de investimentos, baixo consumo e pela falta de geração de empregos, que tem atingido praticamente todos os setores da economia. Ainda não temos previsão de contratação para o final de ano, mas tudo vai depender do cenário econômico nos próximos meses.

Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

Qual é sua perspectiva de contratação de mão de obra para o final do ano? E de reposição de estoques?

No Estado, os setores de serviços e comércio vêm sofrendo fortes quedas, provocadas por perdas de investimentos, baixo consumo e pela falta de geração de empregos, que tem atingido praticamente todos os setores da economia. Ainda não temos previsão de contratação para o final de ano, mas tudo vai depender do cenário econômico nos próximos meses.

Como o senhor vê a evolução da economia/comércio em seu estado até o final do ano?

A economia no Espírito Santo passa por uma fase nebulosa, em que segue a passos lentos. Se a previsão dos economistas em relação ao PIB nacional neste ano é de uma retração de 1,97%, a perspectiva para o cenário estadual não é diferente. A sensação do empresário do setor é de retrocesso, tendo em vista que essa situação é muito semelhante ao que sucedeu na década de 1990, em que o crescimento do País teve uma queda de 4,35%.

Entretanto, o setor permanece numa postura flexível, isto é, preparado para suportar eventuais adversidades sem apatia, mas sem desespero também. De modo geral, o comércio se esforça para manter o crescimento, ainda que seja tímido, num ritmo econômico que apresenta sinais de enfraquecimento. O ano ainda não acabou. Temos cinco meses à frente para trabalharmos de forma criativa e estratégica. O que não podemos é abandonar a missão de fazer o Estado crescer. Espera-se que no segundo semestre a economia retome o fôlego e volte ao seu dinamismo, para que possamos atingir nossa meta de crescimento de vendas de até 2% para este ano.

Na área em que o senhor atua como empresário, que medidas prudenciais devem ser adotadas pelos empresários?

O comércio de veículos seminovos aumentou 6,2% em junho, 87.657 no Espírito Santo, superando, inclusive, o crescimento nos seis primeiros meses de 2015, quando as vendas tiveram alta de 3,7%. Esse cenário, associado à queda na comercialização de veículos zero km, deve resultar em aumento da demanda no mercado de reposição. Ainda que o setor esteja, de certa forma, em crescimento, acredito que buscar a excelência da operação, melhorar o relacionamento com o cliente, inovar nos serviços oferecidos, além de aumentar a integração entre esses elos, são fatores essenciais para o sucesso do comércio no momento atual e até mesmo para levar o negócio adiante, com ou sem crise.

A alta de gastos do setor – como energia, pessoal, combustíveis – tem afetado os negócios?

Os constantes aumentos em tarifas de água, energia e combustível, por exemplo, pressionam os preços em 2015. Logo, os gastos embutidos para o comerciante são repassados para o consumidor final, que acaba pagando mais caro em produtos e serviços. Nesse sentido, a cadeia é prejudicada: o comerciante, que deixa de vender, e o consumidor, que retrai o consumo. Mas para que a situação seja amenizada, o governo precisa buscar alternativas que reduzam os valores das tarifas. A estimativa é que inflação feche o ano em 9,32%, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central. Isso representa um choque muito forte para o empresário e o consumidor, se olharmos pela ótica do aumento da necessidade e do consumo. Administrar as despesas, que aumentaram, e os recursos tem sido o nosso desafio.

A inflação é a maior vilã para o comércio atualmente?

Sem dúvida! A inflação tem interferido diretamente na qualidade de vida do consumidor e nos negócios dos comerciantes. O aumento dos preços e a desaceleração do consumo têm feito muitos empresários encerrarem as atividades. No Estado, de janeiro a junho já são 1.927 empresas fechadas, de acordo com a Junta Comercial do Estado do Espírito Santo (Jucees). A maior parte dos estabelecimentos extintos são pequenas e microempresas, principalmente lojas de eletroeletrônicos, vestuário e presentes. O cenário é preocupante, embora o índice de fechamento ainda esteja dentro da expectativa para crescimento do setor de 2% neste ano. Ademais, enfrentamos a alta da taxa Selic, que chega aos 14,75%.

Quais as alternativas para o empresariado do comércio de bens, serviços e turismo no cenário econômico até o final de 2015?

A fim de lidar com esse cenário nebuloso que a classe empresarial enfrenta, buscamos alternativas para contornar essa crise, como as promoções, que estão em evidência desde o final do primeiro semestre, além de parcelamentos sem juros e formas de renegociação da dívida, para estimular o consumidor a ir às compras.

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