Emprego formal é recorde

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Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


O número de trabalhadores formais no mercado de trabalho em março foi recorde na série história do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada em março de 2002, informou nesta quinta-feira o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego, Cimar Azeredo. O total de empregados formalizados somou 10,9 milhões de pessoas, o correspondente a 51,6% do mercado de trabalho.

Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


O número de trabalhadores formais no mercado de trabalho em março foi recorde na série história do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada em março de 2002, informou nesta quinta-feira o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego, Cimar Azeredo. O total de empregados formalizados somou 10,9 milhões de pessoas, o correspondente a 51,6% do mercado de trabalho. Ao todo, a população ocupada em março somou 21,2 milhões de pessoas.


A taxa de desemprego, também apurada nas seis principais regiões metropolitanas do País, por sua vez surpreendeu em março e ficou em 8,6%. É o menor nível para meses de março desde o início da série histórica da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2002. Em fevereiro, a taxa foi de 8,7%. Economistas esperavam alta maior do desemprego, que tradicionalmente registra elevação nessa época do ano. Segundo projeções da Agência Estado, a taxa esperada no mercado financeiro era, em média, de 9%.


Mesmo com a maior formalização do mercado, os sucessivos aumentos no rendimento médio real da população ocupada não foram suficientes para recuperar as perdas ocorridas desde o início da série da pesquisa, há seis anos. Em março de 2008, o rendimento médio real nas seis regiões ficou em R$ 1.188,90, ainda 2,4% inferior ao rendimento médio apurado em março de 2002, quando era de R$ 1.218,00.


Azeredo explicou que “quando há um processo de recessão, como o ocorrido em 2003, a recuperação depois é muito demorada. Houve um processo de recomposição da renda, mas ainda não podemos dizer que, desde o início das perdas, houve ganhos efetivos”.


De acordo com Azeredo, a formalidade responde a um processo gradativo de recuperação. “É uma evolução, uma recuperação sustentada do mercado de trabalho. Ainda que o Brasil tenha taxas de desemprego ainda elevadas, há um processo de recuperação que vem se sustentando desde 2005”, disse.


Proporção


Só no setor privado, o índice de trabalhadores formais representou 43,9% da população ocupada, totalizando 9,3 milhões. Pelos cálculos do IBGE, 2,8 milhões de trabalhadores não têm carteira assinada no setor privado, o que corresponde a 13,2% do mercado. Outras 4 milhões de pessoas, o equivalente a 19,2% da população ocupada, trabalham por conta própria.


Azeredo disse que o resultado não é pontual, e expressa um movimento sustentado que o mercado de trabalho vem tendo nos últimos anos. Ele lembrou que no início da série, em março de 2002, a taxa de formalidade no mercado de trabalho era de 48,1%. Esse percentual leva em conta os empregados no setor privado, militares, funcionários públicos e estatutários.


“Houve uma mudança na estrutura do mercado de trabalho, com o aumento da terceirização dos serviços nas empresas. Isso influiu bastante. O empresário que terceiriza o serviço não vai querer contratar de forma ilegal”, comentou.


Para Azeredo, o desempenho favorável da economia está garantindo uma “evolução no mercado de trabalho”. Ele observou que, habitualmente, a taxa aumenta entre janeiro e maio e começa a ficar estável ou cair no final do primeiro semestre. “É de se esperar também que tenhamos o menor abril da série, a não ser que alguma coisa saia muito errado”, disse Azeredo.


Segundo ele, a “pequena inflexão” na taxa em março ocorreu porque houve aumento no número de contratações, enquanto caiu o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego). Em março, na comparação com o mês anterior, o número de ocupados aumentou 0,6% e o de desocupados caiu 0,8%. Apesar do recuo, a população desocupada chega a 1,99 milhão nas seis regiões, enquanto o grupo de ocupados soma 21,28 milhões de pessoas.


Para Claudia Oshiro, da Tendências Consultoria, os resultados mostram que “o mercado de trabalho brasileiro segue respondendo positivamente à atividade econômica aquecida neste início de ano”. Para ela, os dados “sinalizam continuidade do crescimento do consumo interno”.


Economistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) elaboraram relatório sobre a pesquisa, no qual destacam o aumento da formalidade. “Maior estabilidade dos rendimentos das pessoas e, portanto, do mercado interno consumidor, e menor desequilíbrio do sistema previdenciário do País, são decorrências muito importantes da formalização”, diz o relatório.


 


 

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