Em março, os primeiros sinais de alta dos juros

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O Estado de São Paulo    Editoria: Economia    Página: B-3


O Banco Central (BC) vem emitindo sinais de que pretende aumentar a taxa de juros. O primeiro veio na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento informa que os integrantes do Copom cogitaram elevar a taxa já em março, mas decidiram esperar mais um pouco.


O segundo sinal veio no Relatório Trimestral de Inflação, no fim de março. A previsão de inflação para 2008 subiu de 4,3% para 4,6%. A meta é de 4,5%.

O Estado de São Paulo    Editoria: Economia    Página: B-3


O Banco Central (BC) vem emitindo sinais de que pretende aumentar a taxa de juros. O primeiro veio na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento informa que os integrantes do Copom cogitaram elevar a taxa já em março, mas decidiram esperar mais um pouco.


O segundo sinal veio no Relatório Trimestral de Inflação, no fim de março. A previsão de inflação para 2008 subiu de 4,3% para 4,6%. A meta é de 4,5%. O diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, reforçou a linha da prevenção: “Qualquer banco central que espere a inflação divergir muito em relação à meta para agir terá de atuar de forma mais intensa e por mais tempo, o que tende a ser danoso para a atividade econômica”.


Diante dessas mensagens, as instituições financeiras corrigiram suas projeções. Até então, a maior parte achava que o juro se manteria em 11,25% em 2008. O último boletim Focus mostrou que agora se espera que a taxa chegue a 12% ao final do ano. “O mercado está dividido se, tecnicamente, precisa ou não subir os juros. Mas tem certeza de que o BC vai elevar a taxa.” É assim que um auxiliar de Guido Mantega descreve o atual cenário. “Acho que o BC vai tentar subir os juros, mas será um tiro no pé”, aposta o ex-diretor do órgão e atual economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas.


O economista Francisco Pessoa Faria, da consultoria LCA, acha que há elementos para o BC não agir. Mas concorda que, depois de tantos sinais, teria dificuldade em recuar. Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, “o BC criou uma profecia auto-realizável. Agora, ele pode ficar com uma imagem de leniente em relação à inflação se não fizer algo.” Para Faria, se as expectativas de mercado mudarem em direção à estabilidade das taxas, é possível que a elevação preparada pelo BC seja desarmada.


Motivos para uma revisão mais otimista existem. O primeiro é a queda da utilização da capacidade instalada da indústria para 82,9% em fevereiro ante 83,1% em janeiro, segundo a CNI. Isso é sinal de que a produção industrial já não caminha mais para o limite de sua capacidade, graças aos investimentos. Assim, diminui um dos principais focos de pressão inflacionária futura detectada pelo Copom.


Nos próximos dias, diz Faria, será divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado no sistema de metas de inflação. Também é possível que fiquem mais claras as tendências de comportamento dos preços das commodities. O corte provisório do Orçamento de 2008, a ser divulgado nos próximos dias, também poderá indicar menos pressão inflacionária, se apontar para uma contenção de gastos do governo.


Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica e atual consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), também vê razões para o juro não subir de imediato.


Além da acomodação do nível de utilização da capacidade industrial, ele ressalta que o Índice de Preços no Atacado (IPA) mostra que as pressões de custo são localizadas em alimentos, na cadeia do ferro e em cimento. E, se o preço das commodities cair, “essa inflação nos alimentos que tem aí vai ser fichinha”, disse.




 


 

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