Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-5
Na avaliação do ex-diretor do Banco Central e chefe do Departamento de Economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a decisão da Fitch deve aumentar a entrada de dólar no. “Na prática, essa será o efeito mais imediato. Afinal, é a segunda agência a classificar o Brasil como investment grade”, afirmou.
Para Freitas, a decisão da Fitch já era esperada, e acompanhou a decisão da S&P no mesmo sentido.
Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-5
Na avaliação do ex-diretor do Banco Central e chefe do Departamento de Economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a decisão da Fitch deve aumentar a entrada de dólar no. “Na prática, essa será o efeito mais imediato. Afinal, é a segunda agência a classificar o Brasil como investment grade”, afirmou.
Para Freitas, a decisão da Fitch já era esperada, e acompanhou a decisão da S&P no mesmo sentido. Entretanto, o economista destacou que os efeitos sobre o dólar serão a principal conseqüência da decisão da Fitch. “Vai aumentar a entrada de capital estrangeiro. O dólar vai ficar mais baixo do que se esperava”, disse.
Freitas comentou que, com duas importantes agências classificando positivamente o Brasil, que ainda tem juros elevados, em comparação com os dos Estados Unidos, por exemplo, isso pode elevar o interesse de capital especulativo no País. “O aumento de interesse de capital estrangeiro pode não ser o tipo de capital desejável para o País”, alertando que o governo, nesse cenário, poderia elevar a alíquota para capital estrangeiro em aplicações de títulos de renda fixa no Brasil, para desestimular ondas de especulação.
Para o economista-chefe do Banco Santander e ex-diretor de assuntos internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, a decisão da Fitch Rating de elevar a classificação do Brasil a grau de investimento “era uma bola mais do que cantada”. Para o economista, a notícia, apesar de positiva, deve trazer poucas alterações para os negócios. “A decisão da Standard & Poors foi uma surpresa maior devido ao timing”, comentou.
Schwartsman considerou ainda que a concessão da nota pela Moody´s não deve vir tão cedo. Há um mês, o diretor da gência, Mauro Leos, citou que o principal limitador da melhora de qualificação do Brasil, para grau de investimento era a área fiscal. “Até pela questão de marketing não seria adequado mudar a nota agora”, disse.
O ex-diretor do Banco Central e sócio da MCM Consultores José Júlio Senna acredita que a trajetória do dólar será de valorização, determinada mais pelo déficit em conta corrente do que pelo grau de investimento. Ele explicou que a melhoria do rating pela Fitch é positiva, mas não tanto quanto em outros países.
“Muitos aguardavam uma segunda opinião sobre o “investment grade”, dá mais consistência à classificação de segurança”, disse Senna. “Mas as circunstâncias agora da economia mundial, da economia brasileira e o fato de o Brasil ter ganhado o investment grade não por reformas estruturais, mas porque melhorou a parte externa aproveitando bons ventos da economia – e também pela ação do BC na política monetária -, não nos fazem esperar que o País melhore como outros que receberam investment grade”.
Senna exemplificou que a Romênia, pouco antes de receber o investment grade em 2003, tinha taxa de juros reais de 7% ao ano, próxima a do Brasil, e em três meses caiu para cerca de 3% ao ano. “Mas aqui, agora, as circunstâncias são de excesso de demanda”, afirmou, explicando o porquê não espera que ocorra o mesmo com o Brasil. “A experiência de outros países têm que ser vista com cautela”.
Por outro lado, o México teve aumento do fluxo de investimentos antes do investment grade em março de 2000 e depois que o grau de investimento foi atingido teve uma certa piora na sua economia em conseqüência às crises da Nasdaq, em 2000, ao ataque terrorista de 2001 e à crise de corporações como a Enron.
Senna disse também que parte do aumento de investimentos diretos e em carteira recebidos por países emergentes quando eles receberam o investment grade pode ser atribuída à melhor classificação de risco, mas que parte também se deu por uma tendência de globalização e integração das economias.