Gazeta Mercantil Editoria: Pequenas e Médias Empresas Página: 1
Micro, pequenas e médias empresas devem ficar com R$ 11 bilhões dos recursos liberados pelo BNDES; até agosto, os empréstimos já subiram 44%. O raciocínio é, de certa maneira, simplista. As taxas de juros estão caindo e, com a retração, os bancos passaram a ganhar menos com a compra de títulos públicos. Com isso, acabam buscando outros ganhos com empréstimos a empreendedores. Neste novo cenário, precisam aumentar a carteira de clientes.
Gazeta Mercantil Editoria: Pequenas e Médias Empresas Página: 1
Micro, pequenas e médias empresas devem ficar com R$ 11 bilhões dos recursos liberados pelo BNDES; até agosto, os empréstimos já subiram 44%. O raciocínio é, de certa maneira, simplista. As taxas de juros estão caindo e, com a retração, os bancos passaram a ganhar menos com a compra de títulos públicos. Com isso, acabam buscando outros ganhos com empréstimos a empreendedores. Neste novo cenário, precisam aumentar a carteira de clientes.
E o crédito aos empreendimentos de menor porte é o que se apresenta mais lucrativo, já que as grandes corporações conseguem recursos mais em conta. Traduzindo: antes sujeitas a verdadeiras peregrinações aos bancos e rejeições constantes de cadastro, devido ao seu perfil menos organizado de documentação obrigatória, como balanços, as pequenas e médias empresas viraram o alvo a ser perseguido pela maioria das instituições financeiras.
Todos os números do setor, que representa mais de 60% dos empregos gerados no País, apontam que, de caçadoras, as pequenas e médias empresas viraram caça, e um número bastante representativo delas já consegue captar recursos no mercado financeiro a um custo bem mais baixo – antes os bancos ofereciam crédito numa faixa que não raro colocava as empresas à beira de um precipício, acima de 39% ao ano e, hoje, a maioria dos financiamentos está com custos ao redor de 12% ao ano, ou pouca coisa acima disso. “Em 2007, certamente vamos superar a barreira dos R$ 11 bilhões em desembolsos para este setor, comparado a pouco mais de R$ 8 bilhões em 2006”, informa Cláudio Bernardo Moraes, superintendente de operações indiretas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). As liberações do BNDES para o setor aumentaram 44% entre janeiro e agosto de 2007, somando R$ 9,9 bilhões. Os desembolsos corresponderam a 119,4 mil operações, o que representa um volume 94% superior ao número de operações realizadas nos oito primeiros meses de 2006.
O banco não atua diretamente no financiamento de micros, pequenas e médias empresas (MPME), porque só faz operações de empréstimos acima de R$ 10 milhões. Contudo, uma extensa rede de 76 agentes financeiros credenciados faz a distribuição desse crédito. Entre eles, o campeão de operações com o setor há quatro anos consecutivos é o Bradesco. Entre janeiro e agosto, por exemplo, o Bradesco emprestou R$ 4, 4 bilhões em recursos do BNDES, dos quais R$ 1,7 bilhão, ou 41,2%, foi para as MPME, com 18 mil operações de crédito, mais do que o dobro dos recursos do segundo e terceiro colocados, Unibanco e Banco do Brasil. A instituição também ocupa a primeira colocação em número de operações por meio do cartão BNDES. De um total de 17.655 operações realizadas em 2006, 8.547 foram realizadas pelo Bradesco, o que representa 48,41% do total. No desembolso de recursos por meio do cartão, esse percentual sobe para 58%. Já o interesse do BNDES pelos pequenos negócios começou a se acentuar a partir, principalmente, do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, iniciado em 1999, quando incentivos aos bancos intermediadores e uma flexibilização no conceito de pequena e média empresa permitiram que esses segmentos ficassem com 18% do total emprestado pelo banco entre 1995 e 2002 – hoje esse percentual está próximo de 30%.