Na parte da tarde, os participantes do Seminário Mesa Brasil Sesc – Segurança Alimentar e Nutricional: Desafios e Estratégias debateram a questão da insegurança alimentar no contexto brasileiro. Participaram como conferencistas, sob a mediação de Maurício Blanco Cossío, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, Renato Maluf, do Consea Nacional, e Ricardo Abramovay, da FEA/USP.
“Estamos próximos de uma crise sistêmica no comércio mundial. Existe hoje um crescimento da demanda mundial por alimentos, associada à elevação acelerada dos preços.
Na parte da tarde, os participantes do Seminário Mesa Brasil Sesc – Segurança Alimentar e Nutricional: Desafios e Estratégias debateram a questão da insegurança alimentar no contexto brasileiro. Participaram como conferencistas, sob a mediação de Maurício Blanco Cossío, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, Renato Maluf, do Consea Nacional, e Ricardo Abramovay, da FEA/USP.
“Estamos próximos de uma crise sistêmica no comércio mundial. Existe hoje um crescimento da demanda mundial por alimentos, associada à elevação acelerada dos preços. O objetivo do milênio, de acabar com a fome e a miséria, não só não está sendo cumprido como também se agravaram”, iniciou Renato Maluf. Ricardo Abramovay citou como algumas das causas de uma nova crise alimentar a elevação e volatilidade dos preços, o declínio nos estoques e as restrições às exportações.
Para Ricardo Abramovay, a agricultura tende a se transformar de predatória a regenerativa e, no futuro, o Brasil pode desempenhar um papel de destaque no cenário mundial, demonstrando que o respeito ao ecossistema não só é possível como também é uma importante estratégia a ser adotada por outros países. Ele afirma que há um descompasso entre a capacidade produtiva e o atendimento às necessidades de consumo das famílias e expõe dados como, por exemplo, o gasto de 10 mil litros de água para a produção de um quilo carne, lançando um questionamento: “Os preços dos alimentos contabilizam os efeitos ambientais provocados pela sua produção? É a hora de mudarmos nossos padrões para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável”.
Renato Maluf concorda com a posição de Abramovay, e afirma que, em todo o mundo, os países caminham para o restabelecimento de padrões prioritariamente nacionais, voltados para o consumo interno, com destaque para as questões ambientais. “Neste processo, é preciso discutir o papel dos blocos econômicos regionais”, diz. Ele relembra o que chama de “economicismo dos anos 70” para defender que a questão da segurança alimentar seja apartidária: “Se a segurança alimentar é um direito do cidadão, ele deveria estar regulamentado na Constituição Federal. Mas a Lei Orgânica de Segurança Alimentar é ordinária, e, portanto, sujeita a substituições”, finaliza.
Na abertura da segunda parte das conferências, o diretor da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social, Crispim Pereira, abriu sua palestra, sobre Fortalecimento da Segurança Alimentar nas Políticas Sociais, elogiando a atuação do Sesc no combate à fome e ao desperdício de alimentos: “O Sesc é um ator social de extrema importância no jogo da luta contra a fome, e é gratificante ver que uma entidade da iniciativa privada contribui de maneira tão significativa para uma das políticas sociais do governo”, afirmou. Em seguida, Pereira falou sobre o papel da pasta comandada por Patrus Ananias, ressaltando que uma de suas principais preocupações é promover a justiça social. “Para o governo, políticas sociais não são assistencialismo, mas investimento e promoção do desenvolvimento”, concluiu.
Sílvio Isopo Porto, da Companhia Nacional de Abastecimento, apresentou aos participantes o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o primeiro projeto estruturante do Fome Zero, responsável pela interligação entre a produção e o consumo e um elo importante entre a agricultura familiar e os grupos que necessitam de assistência alimentar. O PAA atende a 61,5 milhões de famílias agricultoras, beneficiando 7,9 milhões de pessoas anualmente. Em 2003, os recursos operacionalizados pelo Programa atingiram o montante de R$ 228 milhões.
A última conferência do dia foi realizada pelo gerente de Ambiente do Banco do Nordeste, Porfírio Silva de Almeida, que falou sobre as novas estratégias de financiamento da agricultura familiar e do foco do Banco, de promover o desenvolvimento da região. Almeida afirmou a agricultura familiar responde por 88,3% dos estabelecimentos rurais nordestinos, região que concentra 49,7% do total de estabelecimentos da agricultura do Brasil e 82,9% da ocupação da mão-de-obra do campo. Porfírio falou sobre o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que tem aplicados, atualmente, cerca de R$ 4,5 bilhões no Nordeste, e sobre o Agroamigo, de operacionalização do crédito rural, que, criado em 2005, tem como objetivos promover a manutenção do homem no campo, a inclusão social, a melhoria da Qualidade de vida e a geração de emprego e renda em uma das regiões mais carentes do país.