Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-5
A indústria de bens semi-duráveis e não duráveis – que abrange itens como alimentação, vestuário, farmacêuticos e madeira – aos poucos começa a dar sinais de recuperação. Ao contrário de outros setores produtivos que registraram forte crescimento no último ano, como automotivo e bens de consumo duráveis, o segmento só começou a se mover de forma mais consistente a partir do segundo semestre de 2007.
Gazeta Mercantil Editoria: Nacional Página: A-5
A indústria de bens semi-duráveis e não duráveis – que abrange itens como alimentação, vestuário, farmacêuticos e madeira – aos poucos começa a dar sinais de recuperação. Ao contrário de outros setores produtivos que registraram forte crescimento no último ano, como automotivo e bens de consumo duráveis, o segmento só começou a se mover de forma mais consistente a partir do segundo semestre de 2007. Em janeiro esta indústria cresceu 1,2% em relação ao mês de dezembro, já com ajuste sazonal, e subiu 5,5% comparado a igual período de 2007, totalizando alta de 3,6% no acumulado dos últimos 12 meses, conforme dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Tudo indica que agora o segmento consiga atingir a mesma média de expansão de toda a indústria ao longo do ano, estimada em 7%. “Este dado é importante porque mostra que o crescimento está chegando a um setor que tem maior peso na economia, principalmente na geração de empregos”, explica consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida.
Para o economista e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a força desta indústria está na sua pulverização e conseqüente presença e peso nas economias regionais por todo o Brasil. Além disso, elas têm um forte componente empregador. “As automotivas estão mais concentradas em algumas regiões. Mas alimento e vestuário estão presentes, de alguma maneira, em praticamente todos os lugares. Por isso é tão importante o seu crescimento para o País”, acrescenta.
Para Silvio Sales, coordenador de indústria do IBGE, o vigor em semi-duráveis e não duráveis se destaca ainda mais uma vez que são segmentos que sofrem fortemente com a concorrência estrangeira. “Eles são mais vulneráveis à competição com os importados e ainda assim estão crescendo, o que é significativo, especialmente com a queda do dólar”, afirma Sales.
No geral, a produção industrial cresceu 1,8% em janeiro de 2008 comparado a dezembro, já computado o ajuste sazonal, e 8,5% na comparação com janeiro de 2007. A alta de janeiro levou o patamar de produção para o segundo maior nível da série histórica, superado somente pelo mês de outubro de 2007.
Os números oficiais do IBGE confirmam os indicadores econômicos mostram que a economia segue forte desde o ano passado e deve continuar firme por todo o primeiro semestre de 2008.
O destaque permanece com a indústria de veículos automotores que apresentou crescimento de 9,0%. A produção de bens capital manteve-se estável pelo segundo mês consecutivo, porém, num patamar alto, de 19,2% no acumulado do ano. “Esse é indicador importante, porque reflete o investimento da própria indústria para sustentar o crescimento”, afirma a economista da Tendências Consultoria, Marcela Prada.