O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-4
A avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que empréstimos podem estar evoluindo de forma inadequada, com prazos cada vez maiores, não ecoou no BC.
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A avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que empréstimos podem estar evoluindo de forma inadequada, com prazos cada vez maiores, não ecoou no BC. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, o aumento do volume de empréstimos tem ocorrido de forma adequada.
Ao anunciar os dados de fevereiro, ontem, Altamir disse que as operações de crédito têm apresentado “taxas razoáveis” e “bastante confortáveis” de crescimento e os indicadores que poderiam preocupar, como os da inadimplência, estão “bem comportados”.
O principal ponto da preocupação de Mantega é o prazo das operações de crédito ao consumo. De acordo com os dados do BC, no caso dos veículos, o prazo médio manteve-se em 594 dias. Para outros bens, houve ligeira alta, de 201 para 203 dias, de janeiro para fevereiro.
Considerando a média de todas as operações do sistema financeiro, em fevereiro o prazo médio caiu pela primeira vez desde setembro de 2005. Na comparação entre janeiro e fevereiro, os empréstimos tiveram, na média, dois dias a menos: 369 dias corridos, o equivalente a 12,3 meses.
Para Altamir, o crescimento previsto de mais de cinco pontos porcentuais do PIB até o fim do ano não preocupa. “Mesmo com esse crescimento, o patamar não é elevado se compararmos com economias similares à do Brasil”, disse.
Segundo o BC, Malásia e Tailândia, por exemplo, têm volume de crédito equivalente a mais de 80% do PIB. No Chile, a relação supera 50%. Há países em que ultrapassa os 100%, caso da Alemanha, do Reino Unido e do Japão.
Outro motivo para a avaliação positiva é que a inadimplência continua baixa. Em fevereiro, 4,3% dos empréstimos apresentavam atraso superior a 90 dias. O porcentual é ligeiramente menor que o de janeiro, de 4,4%. No caso das pessoas físicas, a taxa de fevereiro manteve-se nos mesmos 7,1% de janeiro e ficou abaixo dos 7,3% de fevereiro de 2007. “O número vem sendo constante e a inadimplência está bastante comportada”, disse Altamir.
“O crédito tem crescido porque temos estabilidade de preços e alta do emprego e da renda; não parece haver nenhuma bolha”, diz o chefe do Departamento de Economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing, José Francisco de Moraes. “Isso permitiu que os bancos voltassem a cumprir a sua função no Brasil, que é emprestar. Mais eficiente que limitar o prazo do crédito é controlar o gasto público, que tem aumentado e capta boa parte dos recursos que deveriam ser emprestados para a produção e consumo.”
Juros
Em fevereiro, o crédito cresceu mesmo com a leve elevação dos juros. A taxa nos bancos, considerando a média de todas as operações, subiu 0,1 ponto porcentual, para 37,4% anuais. É a mais alta desde abril de 2007. Nas operações para pessoas físicas, o aumento foi de 0,2 ponto, para 49% ao ano. Nas linhas para as empresas, a subida foi de 0,1 ponto, para 24,8%.
Altamir Lopes explica que isso ainda reflete o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), no início de janeiro, como forma de compensar parte das perdas do governo com o fim da CPMF. Ele observa, porém, que a subida das taxas foi interrompida em março.
Dados preliminares mostram que o juro médio voltou a cair após dois meses seguidos de alta. Até o dia 12, a taxa caiu 0,2 ponto neste mês, para 37,2% ao ano. A redução ajudou a manter o ritmo de crescimento do crédito. Nesse período, a carteira de empréstimos teve expansão de 2%.